Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram neste domingo (4) um comunicado conjunto no qual rejeitam “qualquer tentativa de controle” sobre a Venezuela e condenam ações unilaterais que, segundo os governos signatários, ferem a soberania do país sul-americano. A manifestação ocorre em meio à escalada de tensões após declarações dos Estados Unidos afirmando ter assumido o controle da Venezuela depois do sequestro do presidente Nicolás Maduro.
No documento, os seis países expressam profunda preocupação com os impactos das ações de Washington sobre a estabilidade regional e alertam para os riscos de agravamento de conflitos na América do Sul. Para os governos signatários, medidas desse tipo ampliam o clima de incerteza e representam uma ameaça direta à paz regional.
O posicionamento conjunto enfatiza a oposição a iniciativas externas que busquem impor domínio político, militar ou estratégico sobre a Venezuela. Segundo o comunicado, ações dessa natureza violam princípios fundamentais do direito internacional, como a proibição do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, conforme estabelecido na Carta das Nações Unidas.
Os países também defendem que a crise venezuelana seja solucionada exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo e da negociação, sem ingerências externas. O texto ressalta que apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos, pode levar a uma solução democrática e sustentável, com respeito à dignidade humana.
Outro ponto central do comunicado é a reafirmação da América Latina e do Caribe como “zona de paz”. Os governos fazem um apelo à unidade regional, independentemente de diferenças políticas, diante de qualquer ação que coloque em risco a estabilidade do continente. Além disso, conclamam o secretário-geral da ONU e outros mecanismos multilaterais a atuarem para reduzir as tensões e preservar a paz regional.
A nota também manifesta preocupação específica com “qualquer tentativa de controle governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos” da Venezuela. A menção ocorre no mesmo contexto em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que um de seus principais objetivos seria manter o domínio sobre o petróleo venezuelano — país que detém as maiores reservas da commodity no mundo. A fala reforçou o debate internacional sobre soberania, interesses energéticos e ingerência externa na crise venezuelana.
Assinam o comunicado os governos do Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai, que afirmam seguir comprometidos com os princípios do multilateralismo e do direito internacional diante dos recentes acontecimentos na Venezuela.



