Mortes associadas ao calor aumentam 23% em 35 anos no mundo, aponta OMS – Notícias
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Foto: Alex Rocha/PMPA

Mortes associadas ao calor aumentam 23% em 35 anos no mundo, aponta OMS

Segundo o professor Nelson Gouveia, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o aumento das temperaturas extremas é resultado da continuidade das emissões de gases de efeito estufa, que vêm tornando os eventos de calor mais frequentes, intensos e duradouros

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Um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que as mortes relacionadas ao calor cresceram 23% nos últimos 35 anos, atingindo uma média anual de 546 mil óbitos em todo o mundo. O avanço está diretamente ligado ao aquecimento global, à intensificação das ondas de calor e à falta de adaptação adequada das cidades e dos sistemas de saúde.

Segundo o professor Nelson Gouveia, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o aumento das temperaturas extremas é resultado da continuidade das emissões de gases de efeito estufa, que vêm tornando os eventos de calor mais frequentes, intensos e duradouros.

Além disso, o crescimento desordenado das cidades contribui para a formação de ilhas de calor urbano, fenômeno que eleva a temperatura nas áreas densamente construídas e intensifica os impactos sobre a saúde e a mortalidade da população.

Quem sofre mais com o calor extremo

De acordo com Gouveia, alguns grupos estão significativamente mais vulneráveis aos efeitos das altas temperaturas:

  • Crianças, que ainda possuem sistema de regulação térmica em desenvolvimento e maior risco de desidratação;

  • Idosos, especialmente aqueles com doenças crônicas, que perdem gradualmente a capacidade de controlar a temperatura corporal;

  • Trabalhadores expostos ao ar livre, que permanecem longos períodos sob sol intenso e calor elevado sem proteção adequada.

Esses grupos concentram a maior parte dos casos de complicações de saúde associadas ao calor extremo.

Quais medidas são necessárias para diminuir esses números?

O professor defende a importância do poder público para minimizar os danos causados pelo aumento das temperaturas. “Uma das medidas mais importantes a serem tomadas é o Estado e os serviços públicos, de modo geral, começarem a criar e implementar planos de ação para lidar com essas ondas de calor extremo, a partir do monitoramento de quando essas ondas vão chegar, fazer protocolo de alerta, comunicação rápida com a população, alertas para as pessoas procurarem se organizar e se adaptar para essas ondas de calor.”

“Existem ações que podem ser desenvolvidas nas cidades, como aumentar áreas verdes e fortalecer os sistemas de saúde. É importantíssimo que os sistemas de saúde, os profissionais de saúde, de modo geral, possam reconhecer rapidamente sinais de estresse térmico, de alterações fisiológicas devido ao calor extremo e, reconhecendo isso, tratar essas pessoas, monitorar grupos de risco. E, claro, mitigar as mudanças climáticas, diminuir as emissões de gases de efeito estufa para que esse aumento da temperatura que está acontecendo não seja tão grande ou tão perigoso como está sendo previsto.”

*Com a informação Jornal da USP

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