O transtorno do espectro autista (TEA) continua sendo um dos temas mais complexos da medicina contemporânea. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de uma em cada 127 pessoas está no espectro, reforçando a necessidade de compreender os mecanismos que envolvem autismo, epigenética, desenvolvimento cerebral, gestação, ambiente, genética e intervenção precoce.
O modelo DOHaD tem ganhado destaque ao demonstrar que fatores ambientais precoces influenciam a saúde ao longo da vida. Durante a gestação e os primeiros anos, o organismo responde a estímulos externos por meio de ajustes epigenéticos que regulam a expressão genética. Essa perspectiva sustenta a compreensão do autismo como uma condição de etiologia multifatorial, influenciada por janelas críticas do desenvolvimento.
Essa visão é reforçada por um estudo recente conduzido por Robert Naviaux, que propõe a chamada “resposta celular ao perigo”. Segundo o pesquisador, infecções, estresse imunológico ou poluição podem ativar mecanismos metabólicos naturais. O risco surge quando essa resposta se mantém ativa por tempo prolongado, desviando recursos essenciais para a maturação normal do cérebro.
Os autores destacam que esses achados não indicam causas diretas nem responsabilizam famílias. As intervenções sugeridas são probabilísticas e visam reduzir riscos populacionais. O foco do debate científico permanece na ampliação do cuidado pré-natal, na proteção da primeira infância e na formulação de políticas públicas baseadas em evidências.



