Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acompanham quatro casos de pacientes com lesão medular que apresentaram retorno parcial de movimentos e sensações após o uso de um medicamento experimental desenvolvido no Brasil. O tratamento foi autorizado de forma excepcional por decisões judiciais, por meio do chamado uso compassivo, aplicado quando não há alternativas terapêuticas disponíveis. Segundo a equipe, os resultados observados até o momento são iniciais e ainda não permitem afirmar a eficácia definitiva da substância.
O medicamento, conhecido como polilaminina, é derivado da laminina — proteína presente na placenta — e atua como uma espécie de “cola biológica”, auxiliando na regeneração de neurônios e na reconexão da medula espinhal. Entre os avanços relatados estão aumento da sensibilidade, pequenos ganhos de mobilidade e sinais de reativação neurológica, monitorados de forma contínua pelos pesquisadores. Os casos chamaram a atenção da comunidade científica por envolverem lesões consideradas irreversíveis.
Apesar dos resultados promissores, a equipe da UFRJ reforça que o tratamento ainda não foi aprovado por órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e depende de ensaios clínicos controlados, com maior número de participantes. No início de janeiro, a Anvisa autorizou a primeira fase dos testes clínicos da substância, ampliando as perspectivas para a pesquisa liderada pela cientista Tatiana Coelho Sampaio e reacendendo a esperança de avanços no tratamento de paraplegia e tetraplegia no país.



