A cadela Pretinha, que vivia ao lado do cão comunitário Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, foi novamente internada para acompanhamento veterinário após apresentar alterações clínicas que levantaram a suspeita de hemoparasitose, popularmente conhecida como doença do carrapato. O quadro de saúde é considerado estável, mas novos exames estão sendo realizados para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento adequado.
Após a morte de Orelha, vítima de agressões, Pretinha foi recolhida da praia e levada para um lar temporário, onde passou a ser cuidada por Carolina Bechelli Zylan, que já acompanhava a rotina dos dois animais. Segundo a veterinária Fernanda Oliveira, responsável pelo caso, a cadela chegou a permanecer três dias sob cuidados médicos e recebeu alta no sábado (24), mas precisou ser hospitalizada novamente na segunda-feira (26) diante da persistência de alterações clínicas.
De acordo com a profissional, a cuidadora percebeu uma leve incontinência urinária logo após levar Pretinha para casa, o que motivou o início imediato das investigações clínicas. Os primeiros exames apontaram alterações compatíveis com hemoparasitose, um grupo de doenças causadas por micro-organismos que afetam o sangue. No entanto, a veterinária ressalta que ainda não é possível fechar um diagnóstico definitivo, sendo necessários testes específicos para identificar com precisão a origem do problema.
Apesar da internação, o estado de saúde da cadela é considerado estável. A médica destaca que sinais como interesse por alimentação e disposição para brincar são indicativos positivos durante o acompanhamento. Ela também explica que mudanças bruscas na rotina, como a retirada do ambiente habitual e a separação do companheiro, podem impactar o sistema imunológico e o comportamento do animal, embora não seja possível afirmar que esses fatores tenham relação direta com o quadro atual.
Neste momento, o foco da equipe veterinária está na recuperação de Pretinha. A conduta médica será definida a partir dos resultados dos exames em andamento e da resposta clínica apresentada nos próximos dias. “Estamos esperançosos, mas mantendo cautela”, afirmou a veterinária.
O caso de Pretinha ganhou repercussão após a morte do cão comunitário Orelha, que vivia há mais de uma década na Praia Brava e era cuidado por moradores e pescadores da região. Após sofrer agressões, o animal foi encontrado ferido em uma área de mata e levado para atendimento veterinário, mas não resistiu e precisou ser submetido à eutanásia.
As investigações sobre o caso seguem em andamento. Na noite de segunda-feira (26), a Polícia Civil indiciou um advogado e dois empresários por suspeita de coação de testemunha. Eles são parentes dos adolescentes investigados por envolvimento na agressão ao animal. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos para a coleta de provas, e mais de 20 pessoas já prestaram depoimento à polícia.
Com informações: NSC Total



