Um estudo recente, liderado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em parceria com instituições nacionais e internacionais, mostra que as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024 tiveram um impacto duradouro e expressivo na saúde mental de grande parte da população adulta avaliada.
As chuvas intensas que atingiram o estado entre abril e maio de 2024 foram consideradas uma das maiores catástrofes naturais já registradas na região. Milhares de pessoas sofreram com interrupções no fornecimento de serviços essenciais, deslocamentos forçados, perdas de bens materiais e destruição de infraestrutura, fatores que, segundo especialistas, ampliam o sofrimento emocional e psicológico da população.
A pesquisa analisou dados da coorte PAMPA, um estudo prospectivo que acompanha adultos no estado desde antes das enchentes, e identificou que os sintomas de ansiedade e depressão cresceram de forma acentuada após o desastre. Os participantes mais diretamente expostos às consequências das enchentes apresentaram níveis significativamente maiores de sofrimento mental em comparação com o que seria esperado sem a ocorrência do evento climático.
Os achados indicam um aumento relevante nos sintomas moderados a graves de ansiedade e depressão entre os entrevistados, sugerindo que as experiências relacionadas às enchentes, como deslocamentos forçados, interrupção de serviços básicos e perdas materiais, estão diretamente associadas ao agravamento da saúde mental.
Além disso, a literatura científica sobre desastres naturais destaca que eventos climáticos extremos podem desencadear sentimentos persistentes de medo, tristeza, irritabilidade e distúrbios do sono, com efeitos que podem se prolongar por meses ou até anos após o episódio.
Os resultados da pesquisa reforçam a necessidade de incorporar respostas de saúde mental nas ações de socorro e reconstrução após desastres como enchentes. Especialistas e organizações de saúde pública vêm alertando para a importância de apoio psicossocial integrado, não apenas durante a fase de emergência, mas também ao longo da recuperação comunitária.
Esse enfoque é crucial, segundo pesquisadores, para reduzir o impacto emocional e melhorar a capacidade de enfrentamento das populações afetadas, especialmente nos grupos mais vulneráveis.



