A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) instaurou um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta de um oficial técnico de inteligência que mantém atuação ativa em um canal no YouTube durante período de afastamento. O procedimento é conduzido pela Corregedoria do órgão e tramita sob sigilo.
O caso ganhou repercussão após a própria estrutura da agência ter exposto, em rede nacional, a identidade do servidor investigado: Glauber Mendonça, responsável pelo canal “Fala Glauber”, que reúne mais de 3 milhões de inscritos na plataforma.
Glauber está afastado das funções desde o início de 2025 por questões de saúde, permanecendo em licença médica. Mesmo fora das atividades presenciais na Abin, ele continua administrando o canal, com produção frequente de vídeos, transmissões e conteúdos voltados principalmente a temas políticos e de segurança pública. A manutenção dessa rotina digital durante o período de licença motivou questionamentos internos e levou à abertura formal do processo disciplinar.
Motivações da investigação
No âmbito administrativo, o agente deverá responder por possíveis infrações funcionais. Entre os pontos apurados estão:
- Não exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
- Exercer atividades consideradas incompatíveis com o exercício da função pública;
- Atuar em atividades paralelas durante horário de trabalho ou em período equiparado, ainda que em licença, a depender da interpretação das normas internas.
As regras do serviço público federal preveem limitações ao desempenho de atividades externas, sobretudo quando há afastamento médico, justamente para garantir que a licença cumpra sua finalidade.
Direito de defesa e próximos passos
O servidor foi notificado da instauração do processo e terá prazo para apresentar manifestação. Como em todo procedimento administrativo disciplinar, são assegurados o contraditório e a ampla defesa.
A depender das conclusões da apuração, o caso pode resultar em arquivamento ou em sanções administrativas, que variam de advertência a penalidades mais severas, conforme a gravidade eventualmente constatada. A Abin não comenta detalhes de investigações em andamento, mantendo sob reserva informações sobre processos correcionais internos.



