Uma jovem de 18 anos foi identificada pela polícia canadense como autora de um ataque a tiros que deixou nove mortos e ao menos 25 feridos em Tumbler Ridge, na província da Colúmbia Britânica, no oeste do Canadá. Entre as vítimas estão cinco adolescentes de 12 e 13 anos. O crime ocorreu em uma escola secundária da cidade, que tem cerca de 2,4 mil habitantes, e também em uma residência próxima ao colégio, onde viviam a mãe e o meio-irmão da atiradora, mortos antes do ataque à escola.
A suspeita foi identificada como Jesse van Rootselaar. O corpo dela foi encontrado dentro da escola, e a polícia trabalha com a hipótese de que ela tenha tirado a própria vida após os assassinatos. Em coletiva, o vice-comissionário da Polícia Montada Real Canadense da Colúmbia Britânica, Dwayne McDonald, informou que Jesse era uma mulher trans e havia iniciado o processo de transição de gênero há cerca de seis anos. Segundo ele, a polícia havia sido acionada diversas vezes nos últimos anos para atender ocorrências relacionadas à saúde mental da jovem, algumas envolvendo armas.
De acordo com as autoridades, o ataque começou por volta das 13h20 (horário local), quando a polícia recebeu o alerta de atirador ativo. Os agentes chegaram à escola em cerca de dois minutos. Seis pessoas foram mortas no local, entre elas uma professora de 39 anos e cinco estudantes. A maioria das vítimas estava na biblioteca da escola. Duas armas de fogo — uma arma longa e uma pistola modificada — foram apreendidas. Um alerta para que moradores permanecessem em casa foi enviado à população e só foi cancelado no fim da tarde, após a confirmação de que não havia outros suspeitos.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou que o país vive um “dia difícil” e afirmou que a nação está em luto com a comunidade de Tumbler Ridge. Ele determinou que as bandeiras em prédios governamentais sejam hasteadas a meio mastro durante a próxima semana e agradeceu aos serviços de emergência e às manifestações de solidariedade internacionais, incluindo a do rei Charles 3º. O Itamaraty informou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas.
O ataque também mobilizou relatos de sobreviventes e professores. O brasileiro Jarbas Noronha, que leciona na escola, contou que se escondeu com alunos em uma oficina por mais de duas horas após ouvir relatos de tiros e ajudou a improvisar uma barricada. A escola e outra instituição da região permanecerão fechadas durante o restante da semana, enquanto a polícia segue investigando o caso. Apesar de ataques a tiros serem considerados raros no Canadá, o episódio reacendeu o debate sobre segurança e posse de armas, especialmente em comunidades pequenas e rurais.



