Em um mundo hiperconectado e regido pela instantaneidade, a saúde mental de adolescentes é submetida a desafios inéditos para essa faixa etária. O sentimento de urgência provocado pelas redes sociais, por exemplo, é constante para os jovens da Geração Z. Uma mente saudável é essencial para o aprendizado, para o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais e para a construção de relações saudáveis.
O tema ganha relevância diante do aumento de casos de ansiedade e sofrimento psíquico nessa etapa da vida, impulsionado, entre outros fatores, pela rotina intensa e pela exposição constante ao ambiente digital. A presença de transtornos mentais é significativa na população em geral, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Pesquisa feita pelo órgão identificou que 4% da população mundial têm transtorno de ansiedade. O índice tem crescido de modo expressivo nos últimos anos entre pessoas com menos de 18 anos. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), estima-se que cerca de 10% a 20% das crianças e adolescentes apresentam problemas de saúde mental no Brasil.
Diante desse cenário, no Colégio Anchieta, em Porto Alegre, o componente curricular Projeto de Vida se tornou um espaço essencial para os estudantes do Ensino Médio. A disciplina vem mostrando um diferencial da formação integral proposta pela escola jesuíta, que entende a dimensão acadêmica como parte do desenvolvimento humano.
O projeto propõe que os alunos reflitam sobre si mesmos, suas emoções e escolhas, abordando temas que vão da gestão emocional à orientação profissional. Na primeira série do Ensino Médio, aprendem a identificar e nomear emoções como ansiedade e tristeza; na segunda, exercitam a comunicação não violenta e o autocontrole; e na terceira, o foco é na escolha de caminhos profissionais. “Falamos de profissões, claro, mas também de quem o aluno quer ser”, explica o professor Thiago Gruner.
Os jovens da chamada Geração Z, segundo Gruner, vivem um desafio maior do que outras gerações ao lidar com o tempo. “Eles estão muito apressados e ansiosos. Estão sempre conectados, mas têm pouca paciência para viver o processo. Nosso trabalho é ajudá-los a retomar o contato com a vida real”, afirma. Essa reflexão ganha força em atividades práticas, como o Desafio da Primeira Vez, no qual os alunos são incentivados a enfrentar situações novas. “Um estudante com fobia social conseguiu superar um grande medo. Essas pequenas vitórias são o verdadeiro sentido do projeto”, conta o professor.
Com uma metodologia que combina autoconhecimento, espiritualidade e valores, o Projeto de Vida é um espelho do propósito educativo do Colégio Anchieta: formar pessoas competentes, conscientes, compassivas e comprometidas. Ao longo dos três anos do Ensino Médio, cada estudante deixa registrado seu percurso em uma linha do tempo digital. Ali, podem revisitar seus planos e sonhos, em um exercício de memória e de amadurecimento. “Queremos que o aluno aprenda a se organizar, a cuidar de si e do outro, e a construir sentido para suas escolhas”, resume Gruner.



