O deputado estadual Gustavo Victorino (Republicanos) afirmou ter sido vítima de “fake news” após declarações feitas em entrevista à TV Assembleia sobre o caso de Maria da Penha Maia Fernandes. As falas geraram repercussão negativa nas redes sociais e críticas de movimentos de defesa dos direitos das mulheres e de representantes do meio político.
Durante a entrevista, concedida no contexto do aumento dos casos de feminicídio no Rio Grande do Sul — que já soma o 16º registro no ano — o parlamentar comentou a aplicação da Lei Maria da Penha e afirmou que o Judiciário precisaria identificar situações em que a violência doméstica teria “componente de discussão material”, sugerindo que alguns boletins de ocorrência poderiam ocorrer em meio a disputas por partilha de bens.
Na ocasião, Victorino declarou que Maria da Penha “nunca tomou um tapa” do marido e que sua condição teria sido resultado de um assalto. A afirmação contraria informações divulgadas pelo Instituto Maria da Penha, segundo as quais ela ficou paraplégica após levar um tiro nas costas dentro de casa. À época, o então marido, Marco Antonio, alegou à polícia que o disparo teria ocorrido durante uma tentativa de assalto, versão posteriormente desmentida por perícia.
Quatro meses após a primeira tentativa de homicídio, Maria da Penha retornou para casa depois de cirurgias e internações. Conforme registros do caso, ela foi mantida em cárcere privado por 15 dias e teria sofrido nova tentativa de agressão, desta vez por meio de eletrocussão durante o banho.
Após a repercussão das declarações, o deputado publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que foi induzido por informações falsas que circulam na internet há pelo menos três anos e que já foram desmentidas por veículos de imprensa.
No pronunciamento, ele mencionou entrevistas em que a própria Maria da Penha teria afirmado não ter sofrido agressão física e citou declarações atribuídas ao ex-marido em conversa com a jornalista Leda Nagle, nas quais ele afirma ter solicitado revisão processual e apresentado novas provas — o que, segundo o parlamentar, ainda não teria sido consolidado judicialmente.
O caso Maria da Penha também foi alvo de disputa judicial recente. Em 2025, a Advocacia-Geral da União ajuizou Ação Civil Pública contra a empresa Brasil Paralelo por divulgar vídeo com conteúdo considerado desinformativo sobre o processo que resultou na condenação de Marco Antonio. Segundo a ação, o material apresentava argumentos distorcidos e informações incompletas sobre o caso.



