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Há um ano, o Brasil confirmava o primeiro caso de covid-19, sem saber quão distante estava o fim da pandemia. Agora, mesmo com uma vacina já sendo aplicada na população, a situação ainda preocupa. O cientista brasileiro especialista em epidemiologia Miguel Nicolelis acredita que só um lockdown de 21 dias salvaria o país do colapso total.

Em conversa com o jornal O Globo, ele disse a população precisa “acordar para a dimensão da nossa tragédia” e que, se algo não for feito, será inevitável um colapso da saúde e funerário.

“Eu estou vendo a grande chance de um colapso nacional. Não é que todo canto vá colapsar, mas boa parte das capitais pode colapsar ao mesmo tempo, nunca estivemos perto disso”, declarou.

Nicolelis diz que a situação preocupa de Norte a Sul, mas chama atenção principalmente para os cenários no Rio Grande do Sul, triângulo mineiro, Distrito Federal, Mato Grosso, São Paulo e Rio de Janeiro.

“No Estado do Rio, a letalidade é recorde no Brasil. O Nordeste ficou com o menor índice de óbitos por 100 mil nos primeiros 11 meses, mesmo assim o crescimento ainda é o menor, numa região com menos médicos do que a média nacional, menos infraestrutura. Esperava-se que o colapso ficasse restrito à região Norte. É surpreendente que o Sudeste tenha se saído tão mal”, pontuou.

O problema maior, segundo o cientista, é que diferentemente da primeira onda, quando um estado por vez apresentou situação mais crítica, agora, tudo está explodindo ao mesmo tempo. Isso vai implicar em falta de medicamentos, impossibilidade e intubação e transferência de doentes.

Nessa quinta-feira, 25, o Brasil ultrapassou a marca de 250 mil mortos pela covid-19 e registrou 1.541 óbitos em 24 horas, o segundo maior número desde o início da pandemia.

Segundo o cientista, que está propondo a criação de uma comissão de salvação nacional com os governadores, ainda tem como contornar o cenário no Brasil. Para que isso seja possível, é necessário, na visão dele, um lockdown imediato nacional de 21 dias. “Não dá para ficar discutindo, assina o contrato e vai em frente, deixa para depois, estamos falando da vida de 1.500 pessoas por dia, são 5 boeings caindo. Vacinação, vacinação, vacinação, testagem e isolamento social. Não tem jeitinho numa guerra. Estamos diante de um prejuízo épico, incalculável, bíblico”, disse.

Catraca Livre