Foto: Reprodução

Traficantes proíbem bailes funk em favelas do Rio de Janeiro

“Não haverá nenhum tipo de evento na nossa comunidade para evitar a disseminação do vírus e proteger a todos”, avisou um dos chefes do morro

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Traficantes de drogas de algumas comunidades do Rio de Janeiro decidiram seguir o decreto estadual que determina a pausa emergencial de 10 dias (de 26/3 a 4/4) e proibiram bailes funks em várias favelas do estado.

Segundo o jornal O Dia, na página do Baile da China, comunidade do Barro Vermelho, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, um aviso mostrou a ordem dos organizadores.

“Não haverá nenhum tipo de evento na nossa comunidade para evitar a disseminação do vírus e proteger a todos”. O recado é assinado por Tropa do Pivete, apelido de Leilson Ferreira Fernandes, um dos chefes da facção Comando Vermelho.

O mesmo recado foi dado por outros traficantes, de diferentes facções, na região metropolitana do Rio.

Ainda em São Gonçalo, segundo informações de inteligência da Polícia Militar, as duas principais lideranças do Comando Vermelho na cidade, Wallace Batista Soalheiro, o Pixote, e Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, proibiram os bailes nas favelas do Salgueiro, Jardim Catarina, Coruja, Chumbada, Menino de Deus e Martins.

O seguinte recado foi divulgado nas redes sociais desses bailes: “Estamos enfrentando um momento delicado por conta do novo coronavírus (Covid-19) e mediante a situação para evitar aglomerações não haverá nenhum tipo de evento na nossa comunidade para evitar a disseminação do vírus e proteger a todos”.

Já outros chefes preferiram ser mais diretos, como Bruno Loureiro, o Coronel, liderança do Terceiro Comando Puro, no Muquiço, zona oeste do Rio. Informações de inteligência da Polícia Civil afirmam que ele foi o responsável por divulgar um áudio em redes sociais e em alto-falantes na comunidade.

O recado: “Fica proibido andar na comunidade sem máscara, a partir de hoje, dia 30 de março. Ou vocês abraçam o papo, ou papo vai abraçar vocês. Atenciosamente, a Diretoria”.

Outros bailes

A determinação da cúpula do CV teria chegado também na Região dos Lagos do Rio. Policiais contaram que não houve registro de bailes promovidos por traficantes da facção nas comunidades de São Pedro de Aldeia e Cabo Frio.

Já em Niterói, há tempos os traficantes não realizam mais bailes funks com regularidade nas comunidades, por conta da repressão do 12º BPM (Niterói).

“Raramente tem bailes na área de Niterói e quando tem, a polícia consegue intervir”, falou ao jornal O Dia um policial que preferiu não se identificar.

Páginas na internet de bailes famosos, em outras comunidades, também divulgaram recados semelhantes.

É o caso do Baile do Parque União, na Maré, que reúne milhares de pessoas nos fins de semana. Inclusive, o cantor Belo chegou a ser preso após se apresentar em um show, durante a pandemia em uma festa no local.

O Baile do Dendê, área do TCP, na Ilha do Governador, zona norte do Rio, também foi suspenso. “A facção pensa sempre no melhor para as nossas comunidades”, dizia um dos avisos, atribuídos a traficantes.

A Polícia Militar do Rio de Janeiro preferiu não se manifestar e disse que cuida somente do policiamento ostensivo, segundo o jornal O Dia. (Metrópoles)