Suspeita de “fungo preto” em paciente com Covid-19 é investigada em Santa Catarina

Suspeita de “fungo preto” em paciente com Covid-19 é investigada em Santa Catarina

Ministério da Saúde emitiu Comunicação de Risco sobre o provável caso de mucormicose em Joinville, no Norte catarinense.

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A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive) e a prefeitura de Joinville apuram um provável caso de mucormicose, infecção fúngica conhecida como “fungo preto”, em um paciente de 52 anos que já foi diagnosticado com o coronavírus. Estado e município já receberam um comunicado do Ministério da Saúde sobre a investigação.

O paciente está internado em um hospital particular da cidade e passou por cirurgia na semana passada. Trata-se de um homem residente da Zona Norte de Joinville e que testou positivo para a covid em fevereiro e possui histórico de comorbidades (diabetes mellitus e artrite reumatoide).

As notícias sobre o quadro clínico do paciente são compartilhadas apenas com o Ministério da Saúde e com a Secretaria de Estado da Saúde catarinense. Ainda não foi informado se há previsão de quando o diagnostico será confirmado ou não.

Segundo a prefeitura de Joinville, a situação já estava sendo acompanhada desde março, quando foi cogitada a hipótese do diagnóstico no morador. Em 20 de fevereiro, o paciente apresentou sintomas gripais e fez um teste que confirmou o diagnóstico positivo para a covid.

Cerca de um mês depois, no dia 19 de março, em função de uma fraqueza generalizada relacionada ao coronavírus, ele foi internado. Após melhorar da doença, o homem recebeu alta no dia 4 de abril.

Por ter apresentado uma complicação metabólica chamada de ‘cetoacidose diabética’, que é caracterizada por fatores relacionados com a diabetes, o paciente teve celulite facial (infecção grave que pode espalhar-se para outras partes do corpo) e prejudicou a visão.

Por este motivo, um médico especialista começou a acompanhar o caso. O morador foi internado em 21 de maio para realização de procedimento cirúrgico, que foi feito na quarta-feira (26).

O que é a mucormicose

Conhecido popularmente como “fungo preto”, o quadro mata mais de 50% dos acometidos. Muitos precisam passar por cirurgias mutilantes, que retiram partes do corpo afetadas pelo micro-organismo, como os olhos.

Embora os relatos vindos da Índia sejam preocupantes e precisem ser acompanhados de perto, especialistas entendem que eles não são motivo de grande alarme e é improvável que um cenário parecido se repita no Brasil ou em outros lugares do mundo.

“Essa situação local não constitui uma ameaça à saúde pública global”, tranquiliza o infectologista Alessandro Comarú Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

“A mucormicose não é algo que vai se espalhar pelo mundo”, concorda o também infectologista Flávio de Queiroz Telles Filho, professor da Universidade Federal do Paraná.

E esse baixo potencial de perigo pode ser explicado por dois motivos. Em primeiro lugar, esses fungos são conhecidos e estudados desde o final do século 19. Segundo, eles já circulam livremente por boa parte do mundo, inclusive no Brasil.

A infecção provocada por fungos já acometeu quase nove mil pacientes com covid-19 na Índia.

O Sul

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