A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório com informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no qual cita dispositivos da Lei Orgânica da Magistratura e do regimento interno da Corte relacionados à declaração de suspeição de magistrados. O documento foi enviado após a apreensão do aparelho na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o banco, liquidado pelo Banco Central. Segundo a apuração, o material contém menções ao ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF.
As referências levaram a PF a destacar o parágrafo único do artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, que prevê o envio dos autos ao órgão competente quando surgirem indícios de crime envolvendo magistrados. Apesar disso, fontes ouvidas afirmam que a corporação não teria formalizado pedido de suspeição contra Toffoli, embora a citação aos dispositivos legais tenha ampliado o debate interno na Corte. Nos bastidores do STF, o envio do relatório aumentou a pressão para que o ministro deixe a relatoria, diante da avaliação de que a permanência no caso pode aprofundar a crise institucional.
Em nota, o gabinete de Dias Toffoli classificou as menções a seu nome como “ilações” e afirmou que não há fundamento jurídico para declaração de suspeição, ressaltando que a Polícia Federal não tem legitimidade para formular tal pedido por não ser parte no processo. A defesa de Daniel Vorcaro também se manifestou, alegando preocupação com o que chamou de “vazamento seletivo de informações” e reiterando confiança no funcionamento da Justiça e na necessidade de uma apuração técnica e equilibrada.



