Por que Janeiro se foi tão rápido? A neurociência explica por que o tempo parece voar quando estamos ansiosos – Notícias
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Por que Janeiro se foi tão rápido? A neurociência explica por que o tempo parece voar quando estamos ansiosos

Segundo pesquisa publicada em 2020, pessoas com transtornos de ansiedade relatam consistentemente uma percepção distorcida do tempo, sentindo que ele escapa entre os dedos enquanto se preocupam excessivamente com o futuro

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Você piscou e janeiro já foi embora.

Aquela sensação incômoda de que os dias estão passando num ritmo absurdo não é apenas impressão sua.

A ciência tem explicações fascinantes sobre como nossa percepção temporal se distorce, especialmente quando a ansiedade domina nossas vidas.

Um estudo publicado na revista Cognition em 2019 por Droit-Volet e Gil demonstrou que estados emocionais negativos, particularmente a ansiedade, aceleram nossa percepção subjetiva do tempo.

Quando estamos ansiosos, nosso cérebro processa mais informações por segundo, criando a ilusão de que tudo está acontecendo mais rápido do que realmente está.

É como se o relógio interno do nosso corpo estivesse configurado em velocidade dupla.

(DROIT-VOLET, S.; GIL, S. The time-emotion paradox. Cognition, v. 155, p. 172–174, 2019)

Mas existe outro componente crucial nessa equação.

Pesquisadores da Universidade de Duke, em estudo publicado no European Review em 2019, revelaram que nossa percepção de tempo acelerado tem relação direta com a formação de memórias.

Quando vivemos no piloto automático, repetindo as mesmas rotinas sem prestar atenção genuína ao presente, nosso cérebro não cria memórias detalhadas desses momentos.

Resultado?

Quando olhamos para trás, parece que nada aconteceu e o tempo simplesmente evaporou.

(BEJAN, A. Why the Days Seem Shorter as We Get Older. European Review, v. 27, n. 2, p. 187–194, 2019)

A ansiedade, considerada o mal do século XXI, potencializa esse fenômeno de forma devastadora.

Segundo pesquisa publicada em 2020, pessoas com transtornos de ansiedade relatam consistentemente uma percepção distorcida do tempo, sentindo que ele escapa entre os dedos enquanto se preocupam excessivamente com o futuro.

(KUBE, T. et al. Distorted cognitive processes. Biological Psychiatry, v. 87, n. 5, p. 388–398, 2020)

Talvez a questão não seja que o tempo está passando rápido demais,

mas sim que estamos vivendo rápido demais.

Correndo de um compromisso para outro, planejando obsessivamente o próximo mês,

enquanto mal registramos o dia de hoje.

Será que, ao tentar controlar cada segundo do futuro,

não estamos perdendo justamente o único tempo que realmente possuímos?

Aquele que está acontecendo agora,

enquanto você lê estas palavras.

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