Cinema LGBTQIA+: Por que finais felizes são tão necessários?

Cinema LGBTQIA+: Por que finais felizes são tão necessários?

Foto: Divulgação

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O cinema nos abre possibilidades para problematizamos muitas coisas, assim como normalizamos completamente outras. Os filmes de temática LGBTQIA+ e personagens queer (e aqui eu utilizo a palavra como um termo guarda-chuva) estão no meio disso. Por um lado, há muito o que ser problematizado, mas, simultaneamente, há um conforto em prosseguir com representações que ligam a identidade queer à tragédia ou a negatividade. O efeito do lado mais forte (o conforto persistente com representações sofridas) vem, historicamente, criando signos que nos atinge de maneira bastante subjetiva. Dentre tais signos, aquele nos quais entendermos personagens queer como criados para serem punidos ou silenciados.

O tropo Bury Your Gays é algo que, segundo Haley Hulan, ainda está assombrando a mídia no século XXI. Por mais que esse tropo possa ser desconhecido por nome a um público mais amplo, seu modus operandi é bem conhecido. De acordo com Hulan, o padrão de uso desse tropo afirma que, em qualquer trabalho narrativo, onde se existe um casal queer, um dos amantes deve morrer ou o romance não pode ter um desfecho feliz. Como Bury Your Gays surge ainda no século XIX, produções anteriores ao ano de 1974 (ano da retirada da homossexualidade da lista de doenças mentais), deixam ainda mais visível esse modo de atuação. Um dos meus filmes favoritos, por exemplo, é o perfeito ideal do tropo.

Infâmia (1961) de William Wyler é uma produção inspirada em uma peça de Lilian Hellman que chegou a Broadway em 1934. No filme, Karen Wright (Audrey Hepburn) e Martha Dobie (Shirley MacLaine) administram juntas um internato, até que uma aluna problemática, ao ser repreendida pelas suas más ações, inicia um boato que ambas professoras tem um romance. Próximo do final do filme, Martha assume que tem sentimentos por Karen. Karen não deixa claro que é recíproco. Após a confissão, Martha comete suicídio e Karen, depois de enterrar a amiga, termina o filme sorrindo como se estivesse curada. Infâmia exibe uma forte correlação entre confissão e morte de um amante, enquanto o outro, ‘‘converte-se’’ a heterossexual novamente, como se o experimento ou lapso de insanidade fosse encerado. Além de, é claro, o vilão ser a orientação sexual de Martha, não a homofobia.

A matéria foi escrita por Sthefaniy Henriques no portal Tem Que Ver. Leia na íntegra AQUI

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