Pesquisas genéticas realizadas no Brasil vêm revelando características inéditas do DNA da população nacional, resultado direto da formação histórica marcada pela miscigenação. Estudos recentes indicam que essa diversidade genética influencia padrões biológicos específicos, com impactos diretos na saúde pública, no diagnóstico precoce e na prevenção de doenças.
Um levantamento divulgado em janeiro apontou que a combinação de ancestralidades pode estar relacionada à longevidade extrema observada entre supercentenários brasileiros, pessoas que ultrapassam os 110 anos. A análise sugere que fatores genéticos próprios do país podem contribuir para mecanismos de proteção ainda pouco compreendidos.
Essas descobertas foram possíveis graças ao sequenciamento completo do genoma, técnica que examina toda a cadeia do DNA, base por base. Diferente dos testes tradicionais, o método permite identificar mutações raras, variantes inéditas e predisposições genéticas com maior precisão.
O trabalho integra o Programa Genomas Brasil, coordenado pelo Ministério da Saúde, que já analisou mais de 34 mil genomas e pretende alcançar 100 mil até o fim do ano. Os primeiros resultados identificaram cerca de 8 milhões de variantes genéticas inéditas, sendo aproximadamente 37 mil com possível relação com doenças.



