Foi no fim da tarde do dia 25 de janeiro de 1967 que os três primeiros computadores do território gaúcho entraram em funcionamento. O “cérebro eletrônico”, como era chamado na época, foi instalado no 12º andar do então edifício pertencente ao Banco do Estado do Rio Grade do Sul. A unidade foi batizada de Centro de Processamento Eletrônico de Dados (Ceped), vinculada a então Secretaria de Administração Estadual, e era composto por três máquinas do modelo Univac 1050.
Adquiridos pelo Executivo estadual, que na época era comandado pelo governador Ildo Meneghetti, os computadores passaram a tratar de todas as informações referentes a questões do governo do RS. Dentre as funções, estavam o tratamento de dados referentes ao funcionalismo público, orçamento, administração, multas de trânsito e identificação civil e criminal. O modelo tinha 8 KB de memória, rodava apenas um programa por vez e podia imprimir até 600 linhas por minuto. Além disso, vale lembrar que naquele momento ainda não existia internet, portanto não existia nenhuma forma de “conexão”.
Para que os três computadores Univac pudessem funcionar, foi necessária a instalação de cinco quilômetros de cabos só na sala onde iriam operar. Além disso, o ambiente era climatizado entre 18°C e 22°C e deveria ser limpo com regularidade para evitar que a poeira prejudicasse no funcionamento. O controle da energia elétrica também era muito importante, pois esta não poderia sofrer grandes oscilações, uma vez que isso poderia danificar as máquinas.
Sílvio José de Azevedo tinha 22 anos quando, no dia 1º de junho de 1970, começou a trabalhar como um dos programadores das máquinas da Ceped (precursor da atual Procergs). Apaixonado pela área de eletrônica desde muito jovem, chegou a iniciar a faculdade de engenharia eletrônica, mas precisou abandonar o curso. Quando estava procurando emprego, leu em um jornal da época uma oportunidade de fazer curso de programação em Linguagem Assembler com possibilidade de ser contratado após a conclusão. Assim, sua história se cruzou com a da computação no RS.
Ele relembra que o Univac foi implementado em um momento que o serviço público estava passando por um processo de automatização, mas que antes já existia um processo “mecanizado” na área de estatística do Estado. Os dados “menos voláteis” (como nomes de servidores, por exemplo) eram armazenados em fitas magnéticas, mas as informações sujeitas a mudança constante (ele cita como exemplo gratificações na folha de pagamento) eram inseridas através de cartões perfurados, que então eram lidos pelo computador.
E por falar nos cartões perfurados, Sílvio destaca o grande papel da mão de obra feminina neste trabalho. Apesar de todos os operadores e programadores serem homens, o trabalho da digitação, preparação de dados e perfuração de cartões era feita por trabalhadoras.
– Era um volume muito grande desses cartões que a gente precisava utilizar e sempre que uma dessas informações era atualizada a gente precisava descartar os cartões, que então eram enviados para uma empresa que fazia a reciclagem – relembra.
O Univac já era um equipamento de segunda geração na história da tecnologia da informação, sendo que a primeira fase não chegou no Brasil. No caso do modelo 1050, ele tem suas origens no contexto da Guerra do Vietnã. As máquinas da Ceped funcionavam 24 horas por dia e os operadores e programadores trabalhavam durante todos os turnos. Caso acontecesse algum problema, ele deveria ser resolvido na hora para não atrapalhar o fluxo de trabalho.
Atualmente, ainda existe uma unidade do primeiro computador do Rio Grande do Sul nos arquivos da Procergs. Esse Univac foi guardado por conta da memória e eventualmente foi exibido em museu.



