A tradicional Livraria Cultura encerrou definitivamente as atividades após a Justiça de São Paulo confirmar a falência da empresa. A decisão foi formalizada pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo neste mês. Com a medida, o site oficial saiu do ar, as últimas lojas foram fechadas e os ativos da companhia e da holding 3H Participações foram bloqueados para garantir o pagamento de parte das dívidas, que somam mais de R$ 285 milhões.
A crise da rede tornou-se pública em outubro de 2018, quando a empresa entrou com pedido de recuperação judicial na tentativa de renegociar débitos com credores. Desde então, enfrentou dificuldades para cumprir o plano aprovado, cenário agravado pela pandemia de Covid-19, que forçou o fechamento das lojas físicas e provocou queda nas vendas. Em 2023, a falência já havia sido decretada, mas a notificação recente consolidou o encerramento definitivo das operações.
Fundada em 1947 por Eva Herz, imigrante alemã que iniciou um serviço de aluguel de livros em casa, a Livraria Cultura se tornou um símbolo cultural na capital paulista. Em 1969, inaugurou a icônica unidade do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, consolidando-se como referência no mercado editorial brasileiro. No auge, a rede chegou a operar 16 lojas no país, promovendo eventos literários e oferecendo amplo catálogo de títulos nacionais e importados.
Nos últimos anos, porém, a empresa acumulou atrasos com editoras e fornecedores, o que abalou a confiança do mercado. Mesmo com tentativas de reestruturação, a combinação de crise financeira, retração do varejo e restrições operacionais levou ao fechamento das atividades físicas e digitais. O presidente da companhia, Sérgio Herz, não se manifestou publicamente sobre a decisão até o momento.



