O número de desempregados subiu para 13,5 milhões de brasileiros em setembro, alta de 4,3% em comparação ao mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na manhã desta sexta-feira, 23. Os dados fazem parte do levantamento mensal da Pnad Covid-19, que mede os efeitos da pandemia do novo coronavírus no país. O avanço da população desocupada bateu recorde em setembro e acumula alta de 33,1% desde o início da pesquisa. A taxa de desocupação subiu de 13,6% em agosto para 14% em setembro, também a maior da série histórica. “Há um aumento da população desocupada ao longo de todos esses meses. Esse crescimento se dá em função tanto das pessoas que perderam suas ocupações até o mês de julho quanto das pessoas que começam a sair do distanciamento social e voltam a pressionar o mercado de trabalho”, afirma Maria Lucia Vieira, coordenadora da pesquisa.

A região Sul foi a única a apresentar queda da população desocupada (-1,4%). Nordeste (10,6%) e Norte (6,4%) apresentaram as maiores variações. A força de trabalho registrou alta de 1,4%, passando de 95,1 milhões de pessoas em agosto para 96,4 milhões em setembro. Já o contingente da população força da força de trabalho foi de 75,2 milhões no mês anterior para 74,1 milhões em setembro, queda de 1,5%. Deste total, 35,2% (26,1 milhões) gostariam de trabalhar, mas não buscaram trabalho e 21,6% (16 milhões) não buscaram trabalho devido à pandemia ou à falta de trabalho na localidade, mas gostariam de trabalhar.

A Pnad Covid-19 também revelou que a população ocupada no país chegou a 82,9 milhões de pessoas em setembro, aumento de 1% frente ao mês anterior e retração de 1,7% em relação a maio. Do contingente de pessoas ocupadas, 93,5% não estavam afastadas do trabalho. Destes, 10,4% trabalhavam de forma remota. “A população ocupada era de 84,4 milhões em maio e caiu até o mês de julho, quando volta a ter variações positivas, chegando ao contingente de 82,9 milhões em setembro. Ainda está abaixo do número que tínhamos em maio, mas já mostrando uma leve recuperação nos meses de agosto e setembro”, diz a pesquisadora.

Dos 82,9 milhões de ocupados em setembro, 5,4 milhões estavam afastados do trabalho que tinham na semana de referência, dos quais 3 milhões estavam afastados devido ao distanciamento social, representando, respectivamente, quedas de 19,7% e 27,6% em relação ao total de pessoas afastadas verificado em agosto. Entre os 5,4 milhões de ocupados que estavam afastados do trabalho que tinham na semana de referência no Brasil, aproximadamente 1,1 milhão de pessoas (19,8%) estavam sem a remuneração do trabalho. Em agosto, este percentual era de 23,7%, e vem caindo consistentemente ao longo da pandemia, apontou o levantamento do IBGE.

A Pnad Covid-19 de setembro mostrou que o percentual de domicílios onde algum morador recebeu algum auxílio para combater os efeitos da pandemia foi de 43,6%. Em agosto era de 43,9%. Foram atendidos 29,9 milhões em setembro frente aos 30,1 milhões de agosto. O valor médio do benefício recebido pela população foi de R$ 894 por domicílio. “O percentual de domicílios onde algum morador recebia auxílio emergencial ficou estável nesses últimos quatros meses”, diz Maria Lucia. Entre os tipos de auxílio abordados pela pesquisa, estão o emergencial, destinado a trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, e a complementação do Governo Federal pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. (Jovem Pan)