Foto: Alex Rocha | PMPA

Pesquisa aponta que brasileiros ficaram mais individualistas na pandemia

Valorização da própria segurança, busca por poder econômico e social e desejo de aproveitar mais os prazeres da vida estão entre as prioridades dos brasileiros

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Diante do medo de ser infectado e das preocupações decorrentes da crise econômica, brasileiros passaram a valorizar mais a própria segurança e a de parentes próximos, no que diz respeito à saúde e ao bem-estar; desenvolveram atitudes mais individualistas e de dominância, com relação ao dinheiro e à posição social, e ainda despertaram um desejo maior de aproveitar a vida, segundo estudo realizada pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e publicada na revista científica “Personality and Individual Differences”.

A pesquisa contou com a participação de 578 brasileiros – 70% eram mulheres com idade média de 39 anos.

O objetivo é medir a estrutura dos valores humanos (por meio de um questionário de padrão internacional utilizado pela Pesquisa Social Europeia); o nível de preocupação com a Covid-19, relacionado à infecção e à recessão econômica através de duas perguntas: “O quão preocupado você está com a chance de você ou de uma pessoa muito próxima ficar doente e sofrer severamente com o cornavírus?” e “O quão preocupado você está com a chance de você ou de uma pessoa muito próxima sofrer com a recessão econômica ocasionada pela crise do coronavírus?”; além de medir o nível de estabilidade emocional dos participantes, também utilizando um formulário de padrão internacional.

De acordo com os dados observados, o medo desencadeado pela realidade da pandemia levou a uma predominância dos valores relacionados à segurança, ao poder e ao hedonismo (ligado ao prazer). Todos eles estão situados em um campo muito individualista.

Valores como universalismo e benevolência, voltados para uma postura que transcende ao próprio indivíduo e se abre para preservar e proteger o bem-estar de todas as pessoas e da natureza, não foram observados com predominância.

“Os valores que observamos sobressaindo entre os brasileiros não são tão desejáveis, quando pensamos em um contexto colaborativo de sociedade, uma vez que motivam ações e pensamentos mais restritos a um ciclo pequeno de pessoas, ao invés de pensar no coletivo. Despertam ações individualistas e egoístas, colocando o seu próprio prazer acima do de outras pessoas. Valores altruístas e de atenção ao coletivo parecem ter diminuído”, explica Ronald Fischer, psicólogo e pesquisador do IDOR.

Os pesquisadores destacaram que estas características foram predominantes em indivíduos classificados como emocionalmente instáveis, que apresentam maior nível de ansiedade e variação no quadro emocional. Intitulado Values and COVID-19 worries: The importance of emotional stability traits, o estudo integra a plataforma de pesquisas “Ciência IDOR contra a COVID”, formada por dez outras frentes relacionadas ao novo coronavírus. (CNN)