O mercado global de smartphones deve encolher 12,9% em 2026 devido a uma escassez sem precedentes de chips de memória, segundo a International Data Corporation (IDC). A consultoria projeta cerca de 1,1 bilhão de remessas neste ano, abaixo dos 1,26 bilhão registrados anteriormente, revertendo anos de crescimento gradual. A crise é atribuída à forte demanda por memórias avançadas para aplicações de inteligência artificial, que esgotou a oferta global e compromete o modelo de negócios de diversos fabricantes.
De acordo com a IDC, o aumento expressivo nos preços de componentes como DRAM, usada no processamento, e NAND, voltada ao armazenamento, tem pressionado as margens de lucro, especialmente entre marcas que atuam com dispositivos Android. Empresas como Xiaomi e Oppo enfrentam uma disputa acirrada por mercado enquanto lidam com custos mais altos, principalmente nos modelos de entrada, onde a memória representa parcela significativa do custo total.
A diretora sênior de pesquisa da IDC, Nabila Popal, afirmou que o cenário é mais severo do que crises recentes, como a pandemia e as tarifas comerciais. Segundo ela, o setor passará por uma transformação estrutural em tamanho, preços médios e concorrência, e a expectativa é de que a situação não apresente melhora antes de meados de 2027. Cristiano Amon, CEO da Qualcomm, reforçou que o problema vai além do preço e está centrado na disponibilidade de memória, fator que deverá determinar o volume total do mercado.
A IDC avalia que aparelhos premium, como a linha iPhone da Apple, tendem a enfrentar melhor o período de escassez, embora reajustes de preços não estejam descartados. Já o segmento de smartphones abaixo de US$ 100, que movimentou cerca de 170 milhões de unidades no ano passado, tornou-se economicamente inviável, indicando que a era dos celulares ultrabaratos pode estar chegando ao fim.



