Foto: Luciano Lanes/PMPA

Arena: por que o Grêmio está mais perto da antecipação da gestão?

Proposta do Grêmio busca viabilizar obras do entorno da Arena e a antecipação da gestão

Compartilhe esta notícia

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on email
Share on whatsapp

Patrícia Comunello | Jornal do Comércio

Esperada pelo Grêmio para o fim de 2019, a antecipação da gestão da Arena Grêmio em 13 anos pode estar próxima e deve ser mesmo em 2020. Tudo depende de desatar o nó das obras do entorno do estádio, na zona norte da Capital. Sem isso, não tem Arena mais cedo para os gremistas explorarem o potencial econômico e nem a OAS/Karagounis Participações recebem o imóvel do Olímpico, antigo templo tricolor situado no bairro Azenha, para erguer empreendimentos imobiliários.

Reunião nesta terça-feira (18) entre Grêmio, prefeitura e OAS/Karagounis “alinhou”, segundo nota da prefeitura, itens de uma proposta de minuta de acordo a ser enviada ao Ministério Público Estadual (MP-RS) até esta sexta-feira (21). A base do documento é a operação arquitetada pelo clube, pela qual o dinheiro pago pela agremiação hoje para a gestora Arena Porto-Alegrense, que é da OAS, pela locação de espaços do estádio para atividades administrativas, cerca de R$ 1,8 milhão ao ano, será colocada em um fundo para custear as obras.

Outro negócio que derivaria dessa operação, caso seja aceita pelo MP-RS, é o Grêmio assumir a gestora, segundo revelou o presidente tricolor, Romildo Bolzan Júnior, no fim de 2019. Seria a solução para ampliar os recursos para bancar as intervenções do entorno. Tudo estaria em um pacote para encaminhar, o que é o objetivo maior, a antecipação da gestão do estádio, que seria viabilizada com obtenção de empréstimos em bancos para cobrir parcelas que o Grêmio pagaria à OAS ao longo de 13 anos. A negociação com os bancos já está encaminhada, diz o Tricolor.

O Grêmio não é responsável pelas compensações, que têm relação com a construção da Arena e de torres residenciais. O MP-RS judicializou a pendência das obras em 2017, e até hoje OAS/karagounis não deram garantias da execução. A lista de compensações chegou a ser revista e hoje custaria R$ 41 milhões – o valor já foi superior a R$ 100 milhões e mudou porque o complexo original com centro de eventos não será mais feito.

O encontro teve o CEO do Grêmio, Carlos Amodeo Neto, executivos daOAS e Karagounis e integrantes da prefeitura, como o procurador geral do município, Nelson Marisco, que finalizará a minuta.

A nota da prefeitura afirma ainda que “a ideia é que a proposta seja analisada e, no final de fevereiro ou início de março, haja novo encontro, desta vez com a presença dos promotores do MP-RS, para que sejam definidos os novos termos”. Marchezan quer que “uma solução não ultrapasse o mês de março”. Mas tudo vai depender da receptividade dos procuradores. O MP-RS não vem comentando o assunto. O Grêmio já disse que há muita boa vontade do órgão.

O impasse se prolongou em 2019 porque a Caixa, que tem 80% da Karagounis (outros 20% são da OAS), não quis chancelar a colocação das sete torres residenciais erguidas ao lado do estádio como garantia das obras. Detalhe: a Justiça também impediu que a prefeitura emitisse cinco dos sete habite-se para liberar a moradia nos empreendimentos. Quem comprou unidades não pode se mudar, com isso recursos de financiamentos para compra não podem ser liberados para os construtores.

As intervenções melhorarão vias e acessos à própria Arena, que hoje estão precários. A avenida Leopoldo Brentano, que passa ao lado do estádio e deve ser duplicada, tem trechos quase intransitáveis na área que entra mais mais no bairro Humaitá. A duplicação da avenida AJ Renner está na lista, mais reformulação de trecho da avenida Pedro Boessio, construção de uma nova sede para o posto da 2ª Companhia do 11º Batalhão da Brigada Militar e ainda serviços de desassoreamento de parte da rede de macrodrenagem, responsável pelos alagamentos de parte do bairro.