Como se já não bastassem os dramas causados pela pandemia de coronavírus, a insegurança pública ainda é uma ameaça para profissionais e pacientes que precisam de atendimento na área da saúde. Foi o que aconteceu no início da noite desta sexta-feira (16) na Zona Norte de Porto Alegre, onde um grupo de criminosos efetuou diversos disparos de fuzil no setor de emergência do Hospital Cristo Redentor.

Segundo testemunhas, homens ainda não identificados aguardavam “de tocaia” em um automóvel Fiat Fiesta cinza estacionado no local. Eles esperavam três rivais que estavam a caminho do hospital após serem atingidos durante um incidente, ainda nebuloso, em uma vila do bairro Sarandi, também na Zona Norte.

Informações prestadas à imprensa pela direção do próprio GHC (Grupo Hospitalar Conceição), responsável pela instituição, asseguraram que ninguém se feriu – ao menos dentro das instalações da unidade.

Os disparos, no entanto, deixaram um rastro de estilhaços das portas de vidro do saguão, além de outros danos materiais. Além, é claro, dos momentos de pânico causados entre pacientes, médicos, enfermeiros e outros funcionários da casa.

Ao todo, trabalham no Conceição cerca de 400 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, nutricionistas, higienizadores e auxiliares administrativos.

Situação

O policiamento no local e no entorno foi reforçado, informou a BM (Brigada Militar). Informações extraoficiais dão conta de que, até o final da noite, os criminosos que seriam o alvo do ataque permaneciam internados, um deles em estado grave.

Apesar de supostamente não terem sido atingidos pelos tiros efetuados pelo grupo rival, eles já haviam dado entrada no Hospital Conceição com ferimentos a bala, causados durante o incidente, na vila São Borja.

Operação

O deslocamento do trio até o hospital teria sido feito em carros de amigos ou familiares. Já os atiradores teriam deixado o local ao perceberem a aproximação de uma viatura da corporação. Imagens de câmeras de segurança fornecidas pelo GHC, no entanto, poderão ajudar na identificação dos autores do ataque.

A vila São Borja e outras áreas conflagradas pelo tráfico de drogas na Zona Norte passaram a ser alvo de uma operação com o apoio de helicóptero, a fim de localizar possíveis suspeitos e identificar a ocorrência de outros incidentes, como alguma tentativa de retaliação contra os autores dos disparos.

(Marcello Campos | O Sul)