A Revolta pede justiça, mas a lei diz outra coisa: quatro adolescentes espancam cachorro até a morte – Notícias
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Foto: Reprodução redes sociais

A Revolta pede justiça, mas a lei diz outra coisa: quatro adolescentes espancam cachorro até a morte

Indignação explode nas redes, enquanto a Justiça esbarra nos limites da lei para punir adolescentes

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O nome do cachorro era Orelha. Ele vivia na praia, era conhecido por moradores e turistas, e acabou morto após ser agredido por um grupo de adolescentes. Segundo a investigação, Orelha foi espancado e arremessado ao mar. Não foi acidente. Foi crueldade.

A reação do país foi imediata: revolta, pedidos de prisão, exigência de punição exemplar. É compreensível. Quem assiste a uma cena dessas sente que algo básico da humanidade foi rompido.

Mas entre a indignação e a Justiça existe um detalhe incômodo: os autores são adolescentes. E isso muda tudo no plano jurídico.

A eles não se aplica a Lei de Crimes Ambientais, a conhecida Lei nº 9.605/98. O que rege o caso é o Estatuto da Criança e do Adolescente. Um sistema que não foi criado para punir como o Código Penal, mas para tentar impedir que um erro se transforme em trajetória permanente.

Aqui surge o ponto que mais causa frustração social: o ECA só admite internação quando há violência ou grave ameaça contra pessoa. Orelha era um ser vivo, protegido pela lei, mas juridicamente não é considerado pessoa. Por isso, a resposta do Estado dificilmente será prisão.

O cenário mais provável é a aplicação de medidas como prestação de serviços à comunidade e acompanhamento socioeducativo. Algo que, para muitos, soa insuficiente diante da brutalidade do ato. Mas essa é exatamente a lógica do Estatuto: ressocializar em meio aberto, não encarcerar por impulso.

Isso não significa relativizar a morte de Orelha. Significa reconhecer que o sistema jurídico brasileiro optou por tratar adolescentes como sujeitos em formação, não como criminosos prontos. A sociedade clama por punição. A lei busca correção de rota.

O desconforto nasce justamente desse choque.

Talvez o caso de Orelha não sirva apenas para alimentar pedidos de castigo, mas para levantar uma pergunta maior: estamos formando jovens capazes de sentir empatia? Ou só reagimos quando a barbárie vira manchete?

Orelha morreu.

O desafio agora é impedir que esse episódio se torne apenas mais um ciclo de ódio — sem aprendizado, sem mudança e sem responsabilidade real.

Justiça não é vingança.

Justiça é aplicar a lei, mesmo quando ela não satisfaz a nossa fúria.

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