A Polícia Federal apura a possível participação de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um esquema de descontos ilegais aplicados sobre benefícios previdenciários. A investigação analisa a hipótese de que ele teria atuado como sócio oculto de Antônio Carlos Camilo, conhecido como “careca do INSS”, em entidades sob suspeita de envolvimento em desvios de recursos de aposentadorias e pensões. O nome de Lulinha aparece em diferentes conjuntos de informações reunidas ao longo do inquérito, que busca esclarecer a estrutura e o alcance das irregularidades.
Entre os indícios examinados, constam registros de movimentações financeiras e referências a repasses de valores que teriam como destino final pessoas ligadas a Lulinha. Os investigadores também analisam informações sobre viagens realizadas em conjunto com o principal suspeito, inclusive ao exterior, além de mensagens que sugeririam a destinação de recursos ao “filho do rapaz”, expressão interpretada como possível alusão ao filho do presidente da República. O material reunido é avaliado para verificar se há elementos suficientes que confirmem participação direta ou indireta no esquema.
Com a retomada dos trabalhos legislativos e a reativação da CPMI do INSS, parlamentares da oposição defendem a convocação de Lulinha para prestar esclarecimentos, enquanto integrantes da base governista avaliam que, neste momento, os indícios ainda não justificam a oitiva. Em meio às apurações, o presidente Lula sancionou uma lei que proíbe descontos associativos em benefícios do INSS, autoriza o bloqueio de bens dos responsáveis por irregularidades e impõe regras mais rígidas para a contratação de empréstimos consignados, como forma de coibir fraudes e ampliar a proteção a aposentados e pensionistas.



