O monitoramento eletrônico de agressores, apresentado como uma das principais ferramentas de proteção às mulheres vítimas de violência no Rio Grande do Sul, ainda alcança uma parcela reduzida dos casos. Atualmente, apenas 803 homens utilizam tornozeleira eletrônica no Estado — número que representa cerca de 6% das 13.012 medidas protetivas em vigor, segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP).
Na prática, o cenário expõe um descompasso entre a política de enfrentamento à violência doméstica e a capacidade operacional do sistema, responsável por acompanhar suspeitos e acionar alertas em caso de descumprimento das restrições impostas pela Justiça.
Embora o Estado possua contrato ativo para até duas mil tornozeleiras eletrônicas, o número efetivamente em operação ainda é considerado baixo diante da demanda. Especialistas avaliam que o entrave não está apenas na decisão judicial, mas também na execução do sistema de monitoramento, que exige estrutura técnica, resposta rápida e integração eficiente entre a empresa responsável pelo serviço e as forças de segurança.
O dado ganha ainda mais relevância em um contexto recente de alerta: mesmo após campanhas institucionais de conscientização, janeiro registrou aumento nos casos de feminicídio antes do encerramento do mês, reacendendo o debate sobre a eficácia das medidas atualmente adotadas para conter a escalada da violência contra mulheres.
Enquanto campanhas reforçam a importância da denúncia e da prevenção, números indicam que a proteção efetiva ainda depende de um sistema que funcione na prática. Sem monitoramento amplo e resposta imediata, medidas protetivas correm o risco de se tornarem apenas registros formais, insuficientes para impedir novas agressões.



