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Unimed mantém silêncio e mais de 50 famílias de crianças com autismos denunciam: “Estamos sendo tratados como números”

Após o anúncio do descredenciamento da clínica ComCiência pela Unimed, pais relatam que continuam sem respostas claras sobre os critérios da decisão

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Mais de 50 famílias vivem hoje uma angústia silenciosa: o medo de ver seus filhos perderem avanços que levaram anos para serem conquistados.

Após o anúncio do descredenciamento da clínica ComCiência pela Unimed, pais relatam que continuam sem respostas claras sobre os critérios da decisão e, principalmente, sobre como será garantida a continuidade terapêutica das crianças e adolescentes com autismos.

Para quem está de fora, pode parecer apenas uma troca de prestador.
Para quem vive a rotina do autismo, pode significar regressão.

Retroceder, nesses casos, não é voltar uma casa.
É perder habilidades sociais recém-conquistadas.
É retomar crises que haviam diminuído.
É voltar a noites sem dormir.
É ver comportamentos agressivos reaparecerem.
É precisar reconstruir vínculos do zero.

Samara, mãe de Sofia, de 12 anos, lembra que a filha arrancava as próprias unhas antes das intervenções terapêuticas.

“Levamos anos para estabilizar esse comportamento. Não é humano retirar nossas crianças de um tratamento que funciona.”

Jeferson, pai de Rafaela, 7 anos, não verbal, relata melhora significativa na sociabilização e na capacidade de lidar com limites.

“Se quebrar o vínculo com a terapeuta, eu sei que vou enfrentar regressão. Vou lidar com madrugadas sem dormir novamente.”

Especialistas são unânimes ao afirmar que, nos autismos, o vínculo terapêutico é parte do tratamento. Não é apenas técnica. É confiança, previsibilidade e segurança emocional.

Simone, mãe de Davi, 18 anos, descreve a clínica como o primeiro espaço onde o filho sentiu pertencimento.

“Para ele, é mais do que atendimento. É um ambiente onde ele se sente acolhido. Tirar isso agora é um retrocesso inadmissível.”

O medo das famílias não está apenas na interrupção. Está na quebra abrupta de uma rotina estruturada — algo essencial para quem vive dentro do espectro.

Os pais afirmam que tentaram diálogo, buscaram esclarecimentos e pediram reuniões técnicas. O sentimento predominante, segundo eles, é de invisibilidade.

“Não somos números, não somos planilhas”, resume uma das mães.

Arthur, que iniciou o acompanhamento no começo de 2025 com comportamento agressivo, hoje — segundo a família — está mais presente, mais responsivo, mais tranquilo. O receio é que a instabilidade comprometa esse processo.

O que as famílias pedem

Não é privilégio.
Não é benefício extra.

É previsibilidade.
É transparência.
É segurança para que não haja perda clínica.

Enquanto aguardam respostas da Unimed, mais de 50 famílias convivem com uma pergunta que não sai da cabeça:

Quanto custa recomeçar algo que já estava dando certo?

Porque, no autismo, recomeçar nem sempre é simples.
Às vezes, significa voltar muitos passos atr

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