Foto: EFE | EPA

África pode demorar 3 anos para vacinar 60% da população contra o coronavírus

A imunização no continente só deve começar na metade de 2021, quando ainda terá que enfrentar desafios logísticos para manter as doses refrigeradas

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Nesta quinta-feira, 3, o diretor do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, John Nkengasong, afirmou à agência de notícias Reuters que o continente deve levar de dois a três anos para ter 60% de sua população vacinada contra a Covid-19. A previsão está baseada no fato de que a imunização na África só deve começar na metade de 2021 – bem depois dos países europeus, por exemplo, que pretendem distribuir a vacina a partir das próximas semanas. Além disso, Nkengasong explicou que o continente terá que enfrentar o desafio logístico de conseguir manter as doses devidamente refrigeradas durante a campanha de vacinação.

Segundo o diretor, caso a imunização demore mais que o esperado, o coronavírus pode se tornar um problema endêmicos nos países africanos. Na semana passada, ela já tinha pontuado em uma entrevista coletiva que a África costuma ser “negligenciada quando os remédios estão disponíveis”. No momento, o continente está negociando a aquisição de vacinas com a Rússia e a China e corre para não ficar atrás na disputa para obter as doses. O continente possui 1.3 bilhão de pessoas e um total de 2.2 milhões de casos acumulados de Covid-19.

Também nesta quinta-feira, 3, a Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu que deixar os países mais pobres do mundo sem vacinas contra a Covid-19 acabará prejudicando também a economia das nações mais ricas. A afirmação fazia referência a uma análise encomendada pela Fundação Bill e Melinda Gates, que aponta que as maiores economias mundiais terão aproximadamente US$ 153 bilhões de lucro em 2021 se houver acesso global às vacinas. Em cinco anos, os ganhos serão de US$ 466 bilhões, 12 vezes o custo total do Projeto Acelerador de Vacina da OMS, que visa distribuir o imunizante às nações mais pobres.

A agência de notícias EFE aponta que, até agora, os dez países ricos analisados pelo estudo (Canadá, França, Alemanha, Japão, Catar, Coreia do Sul, Suécia, Emirados Árabes, Reino Unido e Estados Unidos) contribuíram conjuntamente com US$ 2,4 bilhões para a iniciativa. No entanto, os Estados Unidos e os Emirados Árabes não ajudaram com um dólar sequer. A Alemanha ofereceu US$ 618 milhões; o Canadá, US$ 290 milhões; o Japão, US$ 229 milhões; e a França, US$ 147 milhões. A Suécia prometeu US$ 21 milhões; o Catar, US$ 20 milhões; e a Coreia do Sul, US$ 11 milhões. O Reino Unido, por fim, foi o mais generoso: colaborou com quase US$ 1 bilhão. (Agência Brasil)