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O Brasil recebeu pelo menos 13,6 mil pessoas do Reino Unido desde setembro, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). E caso a tendência dos últimos meses se repita, outros 4,5 mil devem chegar ao país em dezembro. Essa foi a média dos três últimos meses para viajantes internacionais vindos de lá.

A cepa foi notificada à Organização Mundial da Saúde (OMS) pelo Reino Unido em 14 de dezembro. De acordo com o organismo internacional, até o dia 13 havia um total de 1,1 mil casos de pessoas infectadas pela variante. Uma análise retrospectiva mostrou que ela foi identificada pela primeira vez em 20 de setembro.

Diversos países suspenderam voos vindos do país depois de o governo britânico anunciar que uma nova cepa mais contagiosa do coronavírus estava circulando pelo país. Entre eles, está a Argentina. O Brasil decidiu não fazê-lo, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que adotou medidas restritivas nos aeroportos do Galeão (RJ) e de Guarulhos (SP).

Essas medidas incluem restrições de acesso ao Duty Free, monitoramento dos procedimentos de limpeza e desinfecção da aeronave, solicitação de informações sobre os passageiros e tripulantes à empresa aérea e acompanhamento do trânsito dos passageiros até a área de imigração, orientando o distanciamento social e evitando aglomeração.

“Você tem várias variantes no mundo. Esse vírus tem em torno de duas mutações por mês, muito menos do que o vírus da Influenza”, explicou o membro a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Julival Ribeiro. Uma dessas variantes foi identificada no Rio de Janeiro.

“O mundo tem que ficar atento a essas novas variantes. A gente espera que nenhuma ela atinja as vacinas, que não as tornem menos eficazes. Essa é a grande preocupação. Mas nenhum estudo mostrou que isso aconteceu”, continuou. Ele pondera, entretanto, que “são necessários mais estudos para caracterizar o que de fato está acontecendo na Inglaterra”.

A variante foi descoberta após as autoridades sanitárias inglesas identificarem que a taxa de notificação de casos no sudoeste do país triplicou entre 5 de outubro e 13 de dezembro. De acordo com a OMS, entre 5% e 10% de todos os casos no Reino Unido têm o genoma do vírus sequenciado rotineiramente. Foi essa medida que permitiu identificar a mutação.

Ribeiro elogia a medida de sequenciar o genoma da doença. Ele lamenta, entretanto, que no Brasil haja poucos estabelecimentos que têm capacidade de executar o mesmo procedimento. (Metrópoles)