Cuba e Argentina avançam na colaboração de vacinas anticovid

Cuba e Argentina avançam na colaboração de vacinas anticovid

Representantes da Saúde argentino foram à Havana para conhecer o andamento dos projetos

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Cuba e Argentina assinaram um acordo que ratifica a vontade de ambos os países de colaborar na produção dos imunizantes contra a Covid-19 desenvolvidos na ilha, durante visita de autoridades argentinas a Havana.

O acordo, firmado pela ministra da Saúde argentina, Carla Vizzotti, e seu homólogo cubano, José Ángel Portal, “inclui a vontade de colaborar com as vacinas desenvolvidas na ilha contra a Covid-19, na imunização da população cubana e da Argentina, assim como os países da América Latina e do Caribe”, segundo informação do jornal do Partido Comunista no poder (PCC).

Vizzotti e Cecilia Nicolini, assessora do presidente Fernández, chegaram a Havana nesta quinta-feira para conhecer o andamento dos cinco projetos de vacinas contra o coronavírus da ilha, bem como os resultados das primeiras fases de ensaios clínicos e estratégias de vacinação realizadas pelas autoridades sanitárias do país.

A visita explora “as possibilidades de colaboração entre Argentina e Cuba, para acelerar os processos, favorecer a escalada da produção e do acesso tanto para os cubanos, como para os argentinos e toda a região”, disse Vizzotti à televisão local.

Segundo a mídia argentina, o presidente Fernández manifestou em meados deste mês sua disposição de colaborar com a ilha no desenvolvimento de vacinas cubanas contra a covid-19.

A ilha tem cinco candidatos a vacinas desenvolvidas por eles mesmos. Dois deles, Soberana 2 e Abdala, aguardam autorização para uso emergencial ou condicional, pelas autoridades sanitárias do país, prevista para junho.

No Twitter, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, saudou a visita de Nicolini e Vizzotti na sexta-feira: “Ter os irmãos em casa é sempre uma boa notícia. As vacinas candidatas de Cuba também foram concebidas pensando neles”.

Medicamento em teste

A empresa de biotecnologia israelense Bonus BioGroup disse ter tido 100% de sucesso na recuperação de pacientes graves internados com covid-19 que receberam seu medicamento, chamado de MesenCure. Segundo o grupo, 10 pessoas que desenvolveram a versão grave da doença deixaram o hospital, em média, um dia depois de iniciarem o tratamento com o remédio.

Os resultados preliminares do ensaio clínico de fase I/II foram apresentados na última semana em uma conferência internacional em Nova Orleans, nos Estados Unidos.

O CEO e diretor da empresa, Shai Meretzki, disse ao jornal Jerusalem Post que sua equipe está trabalhando na publicação desses resultados em um jornal especializado, para ser revisado por pares.

O MesenCure usa células estromais mesenquimais (MSCs) isoladas do tecido adiposo de doadores saudáveis. Essas células são capazes de reduzir inflamações e aliviar sintomas respiratórios em pacientes infectados com o Sars-CoV-2, coronavírus responsável pela covid-19.

Meretzki explicou que muitas das mortes de pacientes com covid-19 são em decorrência do aumento na produção de moléculas inflamatórias, que resultam na chamada “tempestade de citocinas”. Esse fenômeno é uma resposta imunológica excessiva do organismo humano e pode causar, entre outras coisas, a falência múltipla de órgãos.

As células estromais mesenquimal presentes no MesenCure atuariam para neutralizar essa “tempestade de citocinas”. O medicamento pode ainda ser usado em outros tipos de doenças que resultam em inflamações semelhantes.

“Até agora, os resultados do tratamento com o medicamento MesenCure são extremamente impressionantes”, disse Shadi Hamoud, principal investigador do ensaio clínico e vice-diretor do Departamento de Medicina Interna do Rambam Health Care Campus, em Haifa, onde os testes estão sendo feitos.

Segundo ele, os 10 pacientes que receberam o medicamento têm entre 45 e 75 anos, a maioria (90%) tinha comorbidades e todos estavam internados com sintomas graves da doença.

Os pesquisadores acompanharam os pacientes por 30 dias depois do início do tratamento. Um deles morreu, mas não em decorrência da covid-19. Segundo o CEO da empresa, esse paciente tinha uma doença grave preexistente.

Os dados mostram que, nos 5 primeiros dias de tratamento, houve redução de 40% na inflamação pulmonar –de 55% para 15%. Um mês depois, a inflamação pulmonar atingiu 1%.

Os pacientes ainda apresentaram melhora significativa da função respiratória. A saturação de oxigênio no sangue aumentou para 95%.

Na próxima fase de testes clínicos, o medicamento será administrado em 50 pacientes. Devido ao baixo nível de novos casos de covid-19 em Israel, a empresa solicitou a aprovação para realizar o teste na Europa.

O Sul

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