Autoridades de saúde da Índia emitiram um alerta sanitário após a confirmação de cinco casos do vírus Nipah em um hospital do país. A infecção, que tem origem zoonótica e é associada a altas taxas de letalidade, pode provocar complicações graves, como inflamação cerebral, além de apresentar risco elevado de morte.
Conforme informações publicadas pelo jornal The Telegraph, os casos envolveram profissionais de saúde do Hospital Multiespecializado Narayana, situado no estado de Bengala Ocidental. Após a confirmação, cerca de 180 pessoas passaram por testagem, e ao menos 20 indivíduos classificados como contatos de alto risco foram colocados em isolamento preventivo.
A agência Reuters informou ainda que aproximadamente 100 pessoas foram submetidas à quarentena dentro da unidade hospitalar. Em resposta ao episódio, países da região, como Tailândia, Nepal e Taiwan, intensificaram os protocolos de vigilância sanitária em aeroportos e pontos de entrada internacionais.
As apurações preliminares indicam que os profissionais podem ter sido contaminados durante o atendimento a um paciente que apresentava sintomas respiratórios graves. O episódio reacende o alerta sobre a exposição de equipes médicas a vírus de origem animal e o risco de transmissão em ambientes hospitalares.
O vírus Nipah não é novo na região. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de suínos na Malásia. Desde então, casos esporádicos vêm sendo registrados, principalmente em Bangladesh e na Índia.
Classificado como zoonótico, o Nipah é transmitido principalmente de animais para humanos, podendo ocorrer também por meio do consumo de alimentos contaminados. Os morcegos frugívoros são considerados o principal reservatório natural do vírus, com registros dessas espécies em países do Sudeste Asiático e também em regiões da África, como Gana e Madagascar.
A transmissão pode acontecer pelo contato direto com morcegos infectados, seus fluidos corporais ou frutas contaminadas. Há ainda registros de transmissão entre pessoas, especialmente durante o contato próximo com secreções ou no cuidado direto de pacientes infectados.
Segundo a OMS, a taxa de letalidade da doença pode ultrapassar 40%, variando conforme o surto e a capacidade de resposta dos sistemas de saúde. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em casos mais graves, podem surgir alterações neurológicas, redução do nível de consciência e sinais de encefalite aguda, além de complicações respiratórias severas.
Especialistas alertam que, até o momento, não há vacina nem tratamento específico contra o vírus Nipah. O manejo clínico é baseado em cuidados de suporte e no tratamento dos sintomas apresentados pelos pacientes.



