Bad Bunny no Super Bowl: quando 13 minutos de música redefinem o que significa “América” – Notícias
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Foto: Kevin Sabitus/Getty Images

Bad Bunny no Super Bowl: quando 13 minutos de música redefinem o que significa “América”

Do espanhol no palco à redefinição do termo “América”, artista porto-riquenho transformou o intervalo do Super Bowl em um manifesto de identidade latina, pertencimento e poder cultural

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Não foi apenas sobre música. Nunca foi.
A apresentação de Bad Bunny no show do intervalo do Super Bowl ultrapassou o entretenimento e entrou no território onde cultura, identidade e poder simbólico se encontram. Em um palco historicamente moldado pela indústria anglo-americana, o artista porto-riquenho fez algo raro: não se adaptou ao espaço, fez o espaço se adaptar a ele.

Cantando majoritariamente em espanhol, Benito Martínez Ocasio levou ao evento esportivo mais assistido do planeta uma estética latina sem tradução, sem concessões. Ritmos urbanos, referências caribenhas, coreografias e símbolos culturais ocuparam o gramado como quem reivindica um território sempre seu, mas nem sempre reconhecido.

Mas foi no encerramento que o show deixou de ser espetáculo para se tornar manifesto. Bad Bunny surgiu segurando uma bola com a frase: “Juntos, somos a América”, cercado por bandeiras de países de todo o continente, a cena, simples na forma e potente no significado, reposicionava a palavra “América”, historicamente apropriada como sinônimo exclusivo dos Estados Unidos, para seu sentido geográfico e cultural completo.

“Deus abençoe a América”, disse ele em inglês, ecoando a tradicional frase patriótica norte-americana. A pausa dramática que veio depois não foi silêncio: foi discurso. No telão, a frase que selava a mensagem: “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor.” Era o fechamento perfeito para uma performance que, mesmo sem falas políticas diretas, já vinha sendo apontada como uma das mais políticas da história do Super Bowl. Não por slogans, mas por símbolos. Não por confrontos explícitos, mas por afirmação identitária.

Quando um artista transforma 13 minutos de show em discussão continental sobre pertencimento e identidade, deixa de ser apenas performer, torna-se narrador do seu tempo.

Bad Bunny não fez apenas um halftime show. Fez milhões de latinos se reconhecerem no maior palco do mundo. E, gostem ou não, isso também é história.

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