Itamaraty alerta para falsas propostas de emprego no Sudeste Asiático – Notícias
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Foto: Reprodução/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Itamaraty alerta para falsas propostas de emprego no Sudeste Asiático

Cartilha orienta brasileiros sobre aliciamento, riscos de tráfico de pessoas e como buscar ajuda consular

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O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) emitiu um alerta sobre falsas propostas de trabalho no Sudeste Asiático, região que reúne países como Tailândia, Camboja, Vietnã e Mianmar. Segundo a pasta, essa área tem se consolidado como um dos principais focos de tráfico de brasileiros para exploração laboral, aumentando a preocupação das representações diplomáticas na região.

De acordo com uma cartilha elaborada pelo Itamaraty, muitos dos aliciados são jovens com conhecimentos em informática. O recrutamento costuma ocorrer pelas redes sociais, com promessas enganosas de vagas em call centers ou supostas empresas de tecnologia.

Entre as “iscas” mais comuns estão salários elevados, comissões e benefícios como passagem aérea e hospedagem. A publicação destaca que Camboja e, principalmente, Mianmar, país em meio a uma grave guerra civil, figuram entre os destinos mais perigosos nesse tipo de esquema.

O que acontece após a chegada

O material aponta que, ao desembarcar, a vítima pode ser submetida a jornadas extensas, restrição de liberdade e abusos físicos. Em alguns casos, há imposição para atuar em atividades ilegais, como fraudes virtuais, golpes online e esquemas associados a jogos de azar e criptomoedas.

Diante do cenário, o Itamaraty recomenda desconfiar de ofertas na região que prometam ganhos muito altos, contratação imediata ou intermediação informal.

Caso recente citado pela cartilha

O alerta menciona o episódio de dois brasileiros, Luckas Viana dos Santos, de 31 anos, e Phelipe de Moura Ferreira, de 26, que, no ano passado, conseguiram escapar de uma quadrilha em Mianmar após aceitarem uma proposta com salário atrativo. Segundo o relato, eles tiveram os passaportes confiscados e foram mantidos em cativeiro, com jornadas superiores a 15 horas e agressões quando metas não eram atingidas. Após fugirem pela fronteira com a Tailândia, receberam assistência consular e o Itamaraty atuou na repatriação.

Repatriação: quando o governo pode custear o retorno

A cartilha esclarece que, em regra, brasileiros no exterior devem custear o próprio retorno ao país. A passagem paga pelo Estado é tratada como exceção, aplicada em situações de desvalimento e conforme disponibilidade orçamentária da assistência consular.

Nesses casos, o cidadão precisa apresentar declaração de hipossuficiência solicitada junto à Defensoria Pública da União e não ter sido repatriado anteriormente. O procedimento também prevê que o retorno é concedido até o primeiro ponto de entrada no Brasil, ficando deslocamentos internos por conta do repatriado.

Onde buscar ajuda no Sudeste Asiático

A região conta com embaixadas brasileiras na Tailândia (Bangkok), no Camboja (Phnom Penh) e em Mianmar (Yangon). A embaixada em Bangkok também presta assistência a brasileiros no Laos.

Em situações que caracterizem tráfico internacional de pessoas, a orientação é procurar pessoalmente a embaixada ou consulado mais próximo para entrevista. Em emergências, a recomendação é acionar os telefones de plantão consular. A cartilha lista como emergências casos ligados a conflitos armados, desastres, desaparecimento recente, violência, maus-tratos, internação hospitalar sem documentos ou recursos, além de prisões, retenções migratórias e acidentes graves.

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