O Paquistão bombardeou nesta sexta-feira (27) diversas cidades do Afeganistão, incluindo a capital Cabul, e declarou “guerra aberta” ao país vizinho. A escalada ocorre após dias de confrontos na região de fronteira. “Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é uma guerra aberta entre nós e vocês”, afirmou o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, em publicação na rede social X.
Jornalistas relataram explosões e a presença de caças sobrevoando Cabul e Kandahar, importante cidade do sul afegão. Segundo informações divulgadas pelo Exército do Paquistão, 22 alvos militares teriam sido atingidos e 274 “autoridades e militantes do regime do Talibã” mortos desde quinta-feira (26). Os números não foram confirmados oficialmente pelo governo afegão, que é comandado pelo grupo islâmico desde a retomada do poder em 2021.
Em resposta, o governo do Afeganistão confirmou que realizou ataques aéreos contra posições paquistanesas. O porta-voz Zabihullah Mujahid declarou que houve a retomada de “operações ofensivas em larga escala” na fronteira, mas afirmou que não há registro de vítimas até o momento. As relações entre os dois países, historicamente complexas, se deterioraram nos últimos meses, com acusações de que autoridades talibãs estariam abrigando militantes responsáveis por ataques em território paquistanês — alegação negada por Cabul.
Diante da escalada, o Irã se ofereceu para facilitar o diálogo entre as partes, enquanto a China pediu moderação e a busca por um cessar-fogo imediato para evitar mais derramamento de sangue. O conflito preocupa a comunidade internacional, especialmente pelo fato de o Paquistão ser uma potência nuclear, o que amplia o risco de instabilidade regional.



