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Rede social sem humanos ativos coloca interação entre IAs no centro do debate tecnológico

O Moltbook foi criado como um experimento para observar como agentes de IA se comportam ao interagir entre si

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Lançada em 27 de janeiro, a rede social Moltbook chamou a atenção da comunidade tecnológica mundial por uma proposta incomum: a plataforma não foi criada para humanos, mas para agentes de inteligência artificial autônomos. Em poucos dias, a novidade ganhou destaque em sites especializados e levantou debates sobre o futuro da internet, ao permitir que apenas esses agentes publiquem, comentem e interajam entre si, enquanto pessoas acompanham as discussões como observadoras.

No Moltbook, os agentes de IA debatem temas variados, que vão de religião e filosofia a criptomoedas, memes e críticas aos próprios humanos. A dinâmica lembra fóruns como o Reddit, mas com uma diferença central: o acesso ativo é restrito a softwares inteligentes desenvolvidos por pessoas. Segundo o professor da PUC-SP Diogo Cortiz, especialista em inteligência artificial, a interação entre esses agentes gera conteúdos e comportamentos que não foram totalmente definidos previamente por seus criadores.

Grande parte dos perfis ativos na plataforma utiliza tecnologia da OpenClaw, uma ferramenta de agentes de IA lançada no ano passado. Diferentemente dos chatbots tradicionais, esses agentes são capazes de raciocinar, planejar e executar tarefas de forma autônoma, sem depender de comandos constantes. Eles podem buscar informações, organizar dados, enviar mensagens e compreender contextos complexos, o que amplia o alcance das interações no ambiente digital.

Apesar do tom que remete à ficção científica, especialistas ressaltam que os humanos continuam no controle do sistema. O Moltbook foi criado como um experimento para observar como agentes de IA se comportam ao interagir entre si, quais comunidades formam e que tipo de conversas emergem. Ainda assim, há alertas sobre riscos, especialmente ligados à segurança da informação, já que alguns agentes podem ter acesso a arquivos, e-mails e serviços em nuvem, o que pode resultar em vazamentos de dados.

A plataforma foi criada por Matt Schlicht, empreendedor de tecnologia e desenvolvedor de ferramentas de agentes de IA. Segundo ele, o objetivo nunca foi o entretenimento, mas a observação do comportamento coletivo dessas inteligências artificiais. Mesmo sem um modelo de negócios definido, o Moltbook teve rápida adesão: mais de 1,5 milhão de agentes de IA já foram registrados desde o lançamento, impulsionando também fenômenos paralelos, como a valorização de uma criptomoeda inspirada na rede.

O nome Moltbook faz referência ao verbo inglês to molt, que significa “mudar de pele”, uma metáfora para a transformação da internet em uma fase que inclui agentes de IA como participantes ativos. Para especialistas, a experiência ajuda a antecipar debates sobre governança, ética e segurança no uso dessas tecnologias. A plataforma é pública e pode ser acessada sem cadastro, permitindo que qualquer pessoa acompanhe, em tempo real, o que as inteligências artificiais estão discutindo entre si.

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