O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que os Estados Unidos estabeleceram o mês de junho como prazo para que Rússia e Ucrânia avancem rumo a um acordo que encerre o conflito iniciado há quase quatro anos. Segundo ele, o governo do presidente Donald Trump deve intensificar a pressão diplomática sobre ambos os lados caso não haja progresso até esse período.
De acordo com Zelensky, as tratativas continuam travadas principalmente pela exigência de Moscou de que Kiev aceite a cessão de territórios como condição para o fim da guerra. Entre as áreas reivindicadas estão a região do Donbass, no leste ucraniano, e a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014 — pontos que o governo ucraniano afirma não estar disposto sequer a negociar.
Em declaração feita a jornalistas na sexta-feira (6), mas divulgada apenas na manhã de sábado (7), Zelensky disse que os norte-americanos demonstram pressa em estabelecer um cronograma claro para a conclusão das negociações. Segundo ele, a intenção dos EUA é concluir o processo diplomático até o início do verão no hemisfério norte, atuando de forma mais incisiva para que o conflito seja encerrado dentro desse prazo.
O presidente ucraniano também informou que Washington sugeriu a realização da próxima rodada de negociações trilaterais na próxima semana, desta vez em território norte-americano. A reunião, que pode ocorrer em Miami, contaria com representantes dos Estados Unidos, da Ucrânia e da Rússia. Kiev já confirmou presença.
Zelensky revelou ainda que Moscou apresentou aos EUA uma proposta econômica avaliada em cerca de US$ 12 trilhões, apelidada por ele de “Pacote Dmitriev”, em referência ao enviado russo Kirill Dmitriev. Segundo o líder ucraniano, acordos econômicos fazem parte de um pacote mais amplo de negociações em discussão.
Enquanto as conversas seguem sem consenso, os ataques russos continuam. Zelensky relatou que, durante a madrugada de sábado, mais de 400 drones e cerca de 40 mísseis foram lançados contra alvos ucranianos, com foco na infraestrutura energética do país. As ofensivas atingiram redes elétricas, instalações de geração e sistemas de distribuição.
A operadora estatal de energia Ukrenergo informou que este foi o segundo ataque em larga escala contra o setor energético em 2026, forçando a redução da produção em usinas nucleares. Oito instalações em diferentes regiões teriam sido atingidas, agravando significativamente o déficit de energia e ampliando os cortes programados em todo o país.
Zelensky afirmou que não houve avanços sobre o futuro da usina nuclear de Zaporizhzhia, atualmente sob controle russo, e demonstrou desconfiança quanto à proposta dos EUA de transformar o Donbass em uma zona econômica especial como forma de compromisso. Para o presidente ucraniano, as questões mais sensíveis devem ser tratadas apenas em uma eventual reunião direta entre os líderes dos três países.
“As questões difíceis continuam sendo difíceis. A Ucrânia mantém sua posição sobre o Donbass, que consideramos a mais justa e confiável para um cessar-fogo neste momento”, declarou Zelensky.
(Com informações do portal g1)



