72% das mulheres brasileiras acreditam que propagandas são machistas

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Dados do Instituto Locomotiva mostram que a mulher brasileira, cujo consumo movimenta R$ 1,6 trilhão, não está satisfeita com a forma como é retratada nas propagandas de TV. Acredite: 72% creem que, em geral, as propagandas são machistas e só 6% delas se identificam com as garotas-propaganda das marcas.

Punição

#chegadeassedio, #meuamigosecreto, #meuprimeiroassedio. As hashtags mostram que a luta pela igualdade de gênero da atual era da informação não está só nas manifestações de rua, mas dentro meios digitais.

“O Facebook hoje é um grande balcão das denúncias no mundo”, afirma Marina Negri, pós-doutoranda em Ciências da Comunicação da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo).

Com o alastramento das informações e formação de coletivos feministas proporcionados pelas redes sociais, especialistas em publicidade e gênero afirmam que a sociedade passou a ser mais sensível às temáticas relacionadas aos direitos humanos, algo que se reflete diretamente na maneira como a publicidade trata a figura da mulher.

Tanto que, no ano passado, sete propagandas foram punidas pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) por terem elementos considerados machistas, que objetificam o corpo da mulher e/ou desrespeitam a condição feminina.



O número pode parecer pequeno, mas há dez anos nenhuma das denúncias que foram julgadas pela entidade, sobre essa matéria, geraram punição.

Por ser um órgão de classe, o Conar não aplica multas, por exemplo, quando um anunciante é condenado, mas a empresa condenada se vê obrigada a sustar ou alterar a peça publicitária, penalidades que podem ser agravadas com uma advertência, afinal a imagem é a alma do negócio.

Os processos relacionados a machismo julgados pelo Conar cresceram 87,5% em dez anos, se comparados os dados de 2006 e 2016. Dos casos julgados em 2006, oito denunciavam alguma forma de machismo contido em peças publicitárias.

Considerando os anos de 2006, 2011 e 2016, o número total de processos julgados pelo Conar por diversas motivações variou 10% nos referidos anos, passando de 279 em 2006 para 309 em 2016 – alcançou 321 julgamentos em 2011.

O levantamento foi feito pelo UOL com base nos dados sobre casos julgados divulgados no site do Conar. O UOL analisou as denúncias classificadas nos subgrupos de “Respeitabilidade” e “Responsabilidade Social” nos anos de 2006, 2011 e 2016.

Os dados analisados mostram que o consumidor está fiscalizando mais as publicidades veiculadas pela imprensa. Para se ter uma ideia, dos 308 processos instaurados em 2016 pelo Conar, 196 foram motivados por consumidores.

Dez anos antes, 81 dos 303 vieram de queixas de público.

Apesar de representar uma pequena parcela dos casos, quando o tema é machismo, o consumidor se mostra mais ativo do que na média das reclamações julgadas.

Em 2016, os consumidores deram origem a 14 dos 15 casos julgados sobre machismo. (AG/UOL)