A oposição deve ir à Justiça para barrar fim da passagem integrada em Porto Alegre

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A oposição ao governo de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) na Câmara de Vereadores de Porto Alegre prometeu ir à Justiça para barrar a mudança de regras na passagem integrada na Capital. Conforme a vereadora Fernanda Melchiona, do Psol, a bancada está estudando a licitação do transporte coletivo e deve decidir em reunião na manhã da segunda-feira o argumento a ser utilizado para impedir a implementação do decreto que prevê a extinção da gratuidade na segunda passagem.

Mais cedo, o colega de bancada Roberto Robaina, também do PSol, afirmou que o decreto e os seis projetos relativos ao transporte coletivo, encaminhados nesta semana ao legislativo pela Empresa Pública de Transporte Circulação (EPTC) são um ataque aos direitos dos trabalhadores.

Além do decreto, publicado nesta sexta-feira, a Prefeitura pretende emplacar na Câmara a aprovação de seis propostas visando, entre outros pontos, a extinção gradual da figura do cobrador e o fim da meia-passagem, válida hoje para todos os estudantes.



Conforme o texto, apenas aqueles que comprovarem renda familiar igual ou menor a três salários mínimos devem manter o benefício. Robaina sustenta que a possibilidade de redução nos custos é maior se “a Prefeitura focasse no lucro das empresas ao invés de atacar os cobradores”. Para Robaina, o índice de lucro, hoje de 9%, sem contar os salários de direção das empresas, é alto demais.

Impacto da passagem integrada

Hoje, cada isenção representa R$ 0,51 de cada passagem paga. Com o decreto que coloca fim à isenção, esse custo desce a R$ 0,21. O valor não é zerado porque o texto mantém as isenções na segunda viagem para estudantes. Dos 839 mil usuários (viagens) diários do transporte coletivo na Capital, estima-se que 13% (107 mil) sejam referentes à gratuidade no segundo coletivo usado para chegar ao destino. Desses, 2% são passes estudantis, representando um total de pouco mais de dois mil passes/dia.

Outra visão

Vereador que se declara independente, Felipe Camozzatto, do Novo, garante que é preciso buscar o menor custo aliado ao melhor preço no transporte público. Sobre a questão das isenções e benefícios, ele concorda que é necessário que se analise a diferença entre direito e privilégio, como no caso da meia-passagem para estudantes. “Se eu, que sou vereador e faço especialização quisesse usar a meia-passagem, eu poderia, mas não seria correto”, exemplificou.



Ainda sobre isenções, Camozzatto relembrou que o usuário pagante acaba sendo onerado com esses abatimentos, revertendo no bolso “da senhora que mora na Restinga, vende churros no Centro e precisa do transporte para chegar até lá”. Além disso, Camozzatto defendeu a privatização da Carris, que segundo ele é usada “como cabide de empregos, vítima de péssimas gestões”. O legislador garantiu que ano passado a estatal gerou R$ 50 milhões em prejuízo, soma que sozinha garante, por exemplo, toda a receita destinada à Secretaria de Segurança de Porto Alegre.

Sebastião Melo x Nelson Marchezan Jr

Nas redes sociais, o ex-vice prefeito e oponente de Marchezan no segundo turno das eleições municipais de 2016, Sebastião Melo (PMDB), criticou a extinção da passagem integrada. Melo afirmou que “é muito fácil perceber que a segunda passagem é fundamental para as pessoas e a busca do bilhete único é o caminho”.

Ele acrescentou que Marchezan também prometeu, quando candidato, não extinguir o direito. Marchezan, por outro lado, postou no Facebook um vídeo em que o diretor-presidente da EPTC, Marcelo Solletti, explica como fica a situação de quem usa dois ônibus para chegar ao destino. (Correio do Povo)