Apps de transporte têm cada vez mais presença feminina

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O trânsito de Porto Alegre está cada vez mais feminino. A consolidação dos aplicativos de transporte de passageiros, como Uber e Cabify, está trazendo consigo um aumento na quantidade de mulheres que trabalham como motoristas profissionais na cidade. O fenômeno acompanha o crescimento constante no número de condutoras no Estado. A reportagem do Metro Jornal conversou com três mulheres que representam esta nova era. Conquistando seu espaço, elas provam diariamente que a famigerada frase “mulher no volante, perigo constante” está tão ultrapassada quanto aqueles que a proferem.

Paula Ferrugem, 28 anos, Gisele Zambon, 33, e Jéssica Jacobsen, 23, começaram a trabalhar integralmente como motoristas da Uber e da Cabify no início deste ano. Elas se conheceram durante um protesto organizado por uberistas, que pediam mais segurança para exercer a profissão. Atualmente, fazem parte do grupo “Noturnos” – que recentemente foi associado erroneamente, por conta de um boato, a uma facção criminosa da capital. “Como tu podes ver, somos todas bandidas”, brinca Paula.


Há seis meses, Paula ainda trabalhava como supervisora de vendas, até que decidiu largar seu antigo emprego para ser motorista. Moradora de Gravataí, ela investiu na compra de um Volkswagen Polo – apelidado carinhosamente de “De Menor” – e partiu para as ruas. A mais jovem e vaidosa do trio, Jéssica botou o nome de “Floquinho de Neve” no seu Hyundai HB20 branco. Já o carro de Gisele não tem nome nenhum. “É alugado, nem vale a pena pensar num nome”, ressalta, sorridente.

O trio não tem medo de trabalhar à noite. Na verdade, elas até preferem. “É mais tranquilo para dirigir”, opina Gisele, que revela que o único ponto negativo da profissão é ter que deixar os filhos em casa. “É difícil, mas eu tenho que trabalhar para sustentá-los”, completa.

Elas garantem que não têm medo de dirigir nas “bocadas” da cidade, mas ressaltam que o assédio por parte de alguns passageiros ainda é um problema constante. “Esses dias, peguei um tarado. Eu tava dirigindo e ele veio passando a mão. Daí parei o carro e mandei descer. O nojento nem pagou a corrida”, relata Paula.

Gisele, por sua vez, ressalta que o assédio verbal e até físico é frequente. “É difícil. Tu não podes ser muito simpática porque o cara já acha que tu estás dando bola”, reclama. Por fim, Jéssica assegura que tem um “anjo da guarda forte” e nunca passou por situações parecidas. “Todos os meus passageiros são muito gentis”, garante.

Crescimento nos apps

Nos próximos meses, o mercado de mulheres motoristas promete crescer ainda mais. Em breve, dois aplicativos voltados exclusivamente para o público feminino devem chegar a Porto Alegre. Um deles, o Venuxx, aguarda a liberação de documentos junto à EPTC para estrear. O outro, o Femini Drive, já está em funcionamento, mas ainda conta com pouca demanda de passageiras.


Em ambos, serão permitidas apenas condutoras e usuárias do sexo feminino. Paula, Gisele e Jéssica já se inscreveram nos apps e acreditam que a novidade trará mais segurança para motoristas e passageiras. Atualmente, elas encontram nos grupos de WhatsApp formados apenas por mulheres motoristas a melhor forma de se proteger. “Lá, nós alertamos as meninas para lugares e passageiros perigosos. Até porque os aplicativos não se preocupam de verdade com a nossa segurança”, critica Paula.

Na Cabify, as mulheres já representam cerca de 17% da frota em Porto Alegre. “O número de mulheres parceiras do aplicativo só vem crescendo nos últimos meses. Muitas delas migram de outros aplicativos em busca de mais segurança, já que o nosso público é diferenciado e não aceitamos pagamento em dinheiro”, relata a diretora de marketing da Cabify na capital, Renata Masseroni.

A Uber, por sua vez, não revela a quantidade de mulheres que trabalham com o aplicativo, mas confirma que houve um crescimento significativo desde o início deste ano. Nos táxis, o panorama feminino é diferente. Dos 10,5 mil taxistas cadastrados da capital, 689 são mulheres – 6,5%, de acordo com a EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação). Destas, aproximadamente 150 trabalham ativamente, o que diminui o grupo, na prática, para apenas 1,4%. (Band RS)