Cooperativa que possibilita geração de renda a pessoas com deficiência mental há duas décadas sofre ordem de despejo da Prefeitura da capital

Cooperativa que possibilita geração de renda a pessoas com deficiência mental há duas décadas sofre ordem de despejo da Prefeitura da capital

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Um impasse com a prefeitura movimentou ontem a rotina da Coopersocial, cooperativa que possibilita geração de renda a pessoas com deficiência mental. Justamente na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, a instituição relatou que teria recebido do município a determinação de sair em 20 dias do prédio que ocupa há duas décadas próximo à Vila Planetário para a chegada da Banda Municipal.

A Secretaria Municipal da Cultura, porém, rebateu as informações, assegurando que a cooperativa permanecerá no local, compartilhando o espaço. O município, dono do imóvel que é cedido à cooperativa, teria decidido há dois meses que o prédio abrigaria a Banda, desalojada da Usina do Gasômetro devido a uma reforma.


Contrariada, a Coopersocial concordou na época em dividir o espaço, ainda que tivesse que diminuir sua capacidade de funcionamento. “No momento em que eles chegaram, exigiram salas maiores. Ficaram com as grandes e nós, com as pequenas”, recorda a coordenadora da Coopersocial, Angela Godinho.

A instituição ficaria restrita a três salas no térreo do prédio localizado na rua Santa Terezinha, o uso compartilhado do refeitório e da cozinha. “Eles querem ocupar tudo. A combinação não foi essa”, contou ontem a coordenadora.

Dia confuso

Pela manhã, Angela abriu a cooperativa e deparou com o nome Coopersocial coberto de preto na fachada. No interior do imóvel, móveis e materiais que estavam armazenados no refeitório estavam jogados próximo à secretaria da cooperativa. “De manhã, a Angela me ligou apavorada relatando o que tinha acontecido”, disse o ex-presidente da instituição Vinicius Costa, 54 anos.


À tarde, o coordenador de Artes Cênicas da secretaria, Fernando Zugno, teria ao local para acertar a data de saí- da. Zugno nega. “Achei uma loucura. Em nenhum momento foi pedido ou exigido que eles saíssem”, alegou. Angela relatou que o município teria oferecido espaços nos bairros Navegantes e Restinga para a cooperativa. “A gente sondou a possibilidade [deles] irem para outros espaços. Jamais colocaríamos a cooperativa no relento”, rebateu Zugno, também sustentando que a decisão teria sido tomada em conjunto com o secretário Luciano Alabarse.

Além do nome coberto na fachada, Angela também teria ficado “chocada” com dizeres pintados no interior do prédio como “Usina das Artes” e “Ocupa e Resiste”. Zugno, porém, disse que a diretoria da cooperativa já havia sido informada sobre a ação, que ocorreu durante o fim de semana. “Isso não tem nada a ver com eles. Eu tinha avisado a cooperativa de que isso iria acontecer”, afirmou.

A cooperativa está há 22 anos no mesmo prédio. O local foi construído especialmente para atender pessoas com deficiência mental há quatro décadas, quando o prefeito Telmo Thompson Flores inaugurou ali o Copa (Centro Ocupacional de Porto Alegre).

Atualmente, 85 pessoas com deficiência trabalham fabricando fraldas e adesivando peças plásticas. O expediente ocorre três vezes por semana, às terças, quartas e quintas, nos turnos da manhã e tarde. Eles recebem um valor simbólico de R$ 30 por mês. “Para eles, é uma grande coisa ter dinheiro, ir no barbeiro e pagá-lo, comprar um pão na padaria. O trabalho dignifica”, conta Costa. (Band RS)


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