Siga o Porto Alegre 24 Horas no Google News Entre no grupo do Whatsapp





Após 10 anos do maior acidente aéreo da história do Brasil, as famílias de 70 vítimas, que estavam no avião da TAM que explodiu no aeroporto de Congonhas (SP), vão receber da empresa francesa “Airbus” uma indenização total de R$ 30 milhões.

A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo” neste domingo (10). Segundo a publicação, trata-se de um acordo histórico que foi homologado sem alarde no mês passado pela Justiça do Rio de Janeiro. O pagamento será realizado nos próximos dias pela fabricante do avião. “A indenização, é claro, não põe fim à dor da perda, mas é a maior maior já paga em casos do gênero no País”, informa o texto.



Acidente

O avião Airbus A320 partiu da cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com 187 pessoas a bordo. O destino final era o aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da cidade de São Paulo. Com uma chuva no momento do pouso, que iniciou às 18h44min, a aeronave começa a se aproximar da pista.

Às 18h50min, o avião passa reto pela pista de Congonhas e, apesar de ser possível ouvir gritos de “vira, vira, vira agora”, a aeronave não desacelera, vira à esquerda e atinge em cheio um prédio da TAM, onde outras 12 pessoas morreram.

Ao longo do período, todos os denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal) foram absolvidos após julgamento em primeira e segunda instâncias.




A investigação foi conduzida por três órgãos. Um deles, o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da Aeronáutica, concluiu que uma série de fatores contribuíram para o acidente. O relatório constatou, entre vários pontos, que os pilotos movimentaram, sem perceber, um dos manetes para a posição idle (ponto morto) e deixaram o outro em posição climb (subir). O sistema de computadores da aeronave entendeu que os pilotos queriam arremeter – termo utilizado para quando o piloto aborta o pouso e volta a ganhar altitude.

O documento relata que não havia aviso sonoro para advertir os pilotos sobre falha no posicionamento dos manetes e que o treinamento deles era falho: a formação teórica, pelo que se apurou na época, usava apenas cursos interativos em computador. Outro problema apontado é que o copiloto, embora tivesse grande experiência,tinha poucas horas de voo em aviões do modelo A320, e que não foi normatizada, na época, a proibição em Congonhas de pousos com o reverso (freio aerodinâmico) inoperante, o que impediria a aterrissagem nessas condições em situação de pista molhada.

Aprimoramento

O acidente com o Airbus 320 da TAM trouxe à tona a preocupação frequente que passageiros e até pilotos tinham com a falta de segurança em Congonhas. Ainda que investigações oficiais não tenham apontado a pista do pouso como determinante para a tragédia, nos últimos dez anos o aeroporto –incrustado na zona sul de São Paulo – viveu aprimoramentos que ajudaram a diminuir os riscos.




As mudanças são relatadas pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Infraero (responsável pela infraestrutura de Congonhas), Airbus (fabricante do avião acidentado) e pela própria TAM. Entre as principais alterações está o encurtamento da pista, o que exigiu novos padrões de operação dos aviões e permitiu a abertura de áreas de escape em caso de derrapagens.

A Airbus também desenvolveu um alarme na cabine dos pilotos que indica se as manetes estiverem em posições opostas (uma em aceleração e outra em reverso) na hora do pouso ou da decolagem. Seu uso é obrigatório em Congonhas.

Além disso, novas regras da Anac determinaram que apenas pilotos com mais de cem horas de voo podem operar no aeroporto, que precisa agora mandar análises mensais (às vezes quinzenais) à agência sobre o atrito de suas pistas.