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Sem parentes importantes e vindos do exterior, mais de 300 imigrantes, a maioria haitianos em busca de emprego e dignidade (o Haiti foi arrasado por um violento terremoto em 2010) confraternizaram na tarde deste domingo no CTG Pousada da Figueira, em Porto Alegre.

Com 37 anos e três filhos, Emanuel Pierre, trabalha na construção civil. Sua esposa Edith cuida dos herdeiros. Paga R$ 450,00 de aluguel no bairro Guajuviras (Canoas) e manda “algum dinheiro”, quando pode, a cada dois meses, para ajudar a mãe, irmã e irmão residentes na cidade de Cabo Haitiano. Chegou aqui em 2013.




“Está bom aqui, não penso em voltar, pelo menos tão cedo”, disse no evento, no qual foram sorteadas 40 bicicletas. Seu filho mais novo, Everson, de quatro anos, é brasileiro. Organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil (STICC) a festa de final de ano reuniu imigrantes também do Senegal residentes na cidade e outros municípios. “Dizem que o gaúcho é povo receptivo, nós aqui praticamos isso”, diz o presidente do sindicato, Gelson Santana.

Convênio firmado em 2016 entre o STICC e a Federação dos trabalhadores da construção do Haiti tem apoiado o emprego e famílias dos imigrantes. A contribuição sindical de cada trabalhador, no Rio Grande do Sul, é transferida aos sindicatos e famílias haitianas. Já foram repassados 1,7 mil dólares equivalentes a seis meses de arrecadação, informa Santana. Todos os imigrantes, diz, recebem curso de língua portuguesa.

Mislane Rene nasceu na cidade de Barriere. Veio ao Brasil em 2013. Trabalha no departamento de fiscalização do STICC, e sustenta dois filhos e um sobrinho. Não pretende voltar, fez amizades, tem bons colegas e está conseguindo viver com o básico, suficiente para manter sua vida e dependentes. Quando pode manda algum dinheiro, pouco, para seus parentes.





Marc Roosvens, também haitiano, 31 anos, trabalhava no STICC. Solteiro, está no Brasil desde 2015. Seu caso é mais raro entre os imigrantes: frequenta o primeiro semestre da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Santa Maria. Sua meta é conseguir uma bolsa. “Estou feliz”, resume.

Em comum, todos a preocupação com s manutenção do emprego, sobreviver e manter seus familiares. A construção civil gaúcha já empregou mais de 2 mil trabalhadores, entre haitianos e senegaleses. Hoje há pouco mais de 500 neste tipo de emprego.

“Não estamos mais no lugar que imaginávamos há seis, sete anos atrás. Está cada vez mais difícil, os salários são baixos, moramos amontoados em residências para diminuir o gasto com aluguel, mas é o que temos. Não podemos voltar, em nosso país a situação não muda”, lamentou um haitiano que preferiu não ser identificado.

Segundo Gelson Santana, a corrupção e o desvio de verbas é ainda muito forte no Haiti. (Correio do Povo)