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Morreu em casa, às 8h50min da manhã deste domingo (10), devido a pneumonia, a atriz Eva Todor. Ela estava em internação domiciliar, no regime de home care, desde o dia 9 de setembro deste ano. Antes, a atriz já havia estado internada na Casa de Saúde São José, na Zona Sul do Rio, de janeiro a setembro. A atriz será cremada, mas ainda não há data e horário definidos.

Com mais de 80 anos de carreira no teatro e na TV, Eva recebeu diagnóstico de Mal de Parkinson há alguns anos e vivia reclusa em sua casa, na Zona Sul do Rio. Seu último trabalho na TV foi na novela “Salve Jorge”, de 2012.




Eva Fódor Nolding era húngara e nasceu em 9 de novembro de 1919. Sua mãe era designer de moda e seu pai era próspero comerciante de tecidos finos. Todos eram muito ligados em arte e, por isso, matricularam a menina, ainda com 4 anos, na Ópera Real da Hungria, onde ela aprendeu a dançar balé clássico.

A família imigrou para o Brasil, fugindo das dificuldades pelas quais passava a Europa pós-guerra, e aqui Eva continuou as aulas de balé, com Maria Olenewa. Aos 9 anos, já havia se apresentado em espetáculo de dança solo, acompanhada de um pianista, no Teatro Municipal de São Paulo.

Trajetória

O início nos palcos foi por meio do balé, ainda na infância. Húngara de nascimento, Eva Todor (que tinha o sobrenome Fodor de batismo) chegou a dançar na Ópera Real de Budapeste. Filha de uma estilista e de um comerciante de tecidos, ela já mostrava talento para a vida artística, mas a realidade complicada do período entre guerras na Europa a fez fugir com a família para o Brasil, em 1929.




Por aqui, entretanto, rapidamente a pequena retomou a rotina com sapatilhas, tendo aula com a renomada Maria Olenewa. Não era à toa o envolvimento com o universo cultural. Em entrevista ao site “Memória Globo”, Eva contou que seus pais, “como bons húngaros”, achavam que toda criança deveria ter uma educação ligada à arte.

Foi por meio do contato com um crítico de teatro que surgiu a oportunidade de fazer um teste para integrar o elenco de uma peça com Dulcina de Moraes. Mas não deu certo – o português de Eva ainda era incipiente, e ela foi reprovada. Pouco tempo depois, entretanto, ela conseguiu entrar na carreira por meio do teatro de revista. Aí deslanchou.

“Fiz um sucesso muito grande. Fiquei quatro ou cinco anos. E foi onde conheci meu primeiro marido, que era o diretor da companhia [Luis Iglesias]. Eu me casei aos 14 anos. Depois, ele achou que aquilo não tinha futuro e montou uma companhia de comédia para mim. Todo mundo disse que ele era louco, porque eu era uma menina que não tinha experiência nenhuma e, além do mais, falava português pessimamente. Mas, deu certo. E a companhia ficou sendo Eva e seus Artistas, durante muitos anos. Só de Teatro Serrador, fiquei 23 anos”, relatou ela ao “Memória Globo”, lembrando que graças ao teatro resolveu “aportuguesar” seu sobrenome para Todor.




A naturalização como brasileira aconteceu com a forcinha de um personagem ilustre. Na década de 1940, quando fazia uma peça no Teatro Municipal, ganhou Getúlio Vargas como admirador, o que facilitou o processo para conseguir a identidade nacional. Na década de 1950, a atriz comandou um programa próprio na TV Tupi chamado “As aventuras de Eva”. Ali, já mostrava a aptidão para o humor que caracterizou suas oito décadas de carreira. Dali para frente, a televisão foi um de seus trabalhos prediletos.

Foi nas novelas e séries televisivas que ela se tornou um rosto conhecido dos brasileiros. Fez “Partido alto” (1984), “De Corpo e Alma” (1992), “O Cravo e a Rosa” (2000), entre várias outras. No cinema, Eva fez sua estreia ao lado de Oscarito, em 1960, com “Os Dois Ladrões”, de Carlos Manga. Foram cinco filmes no currículo, o último em 2008 (“Meu Nome não é Johnny”).