Má educação e preconceito: O pior do Brasil na Rússia – Porto Alegre 24 horas

Má educação e preconceito: O pior do Brasil na Rússia

Compartilhe esta notícia

Share on facebook
Share on twitter
Share on telegram
Share on email
Share on whatsapp





A ignorância não é exclusividade de uma nação. Há ignorantes em cada país e até em cada esquina, diriam os pessimistas. Porém, com mais propriedade, dado que a burrice é mais fácil de ser compreendida quando exercida na mesma língua, na mesma cultura, falemos sobre os nossos. O pior do Brasil no Mundial até agora não é o empate contra a Suíça ou o cabelo do Neymar. Evidente que não são todos, mas quem mais decepcionou foi o torcedor chato e mal educado brasileiro, simbolizado com maestria pelo grupo que assediou uma russa, aproveitando o desconhecimento dela do português, para cantar, de forma infantil, algo relacionado à cor (!) do órgão sexual da moça.




Este é só um dos casos de falta de educação e machismo de parte dos torcedores brasileiros que parece ficar mais em evidência no meio de um espírito bonito e bacana de comunhão de nações no Mundial, principalmente  em Moscou. Em Rostov, antes do jogo, um brasileiro subiu em um banco alto (parecido com o de salva-vidas na praia) em que uma voluntária fica com um mega fone dando instruções. Ficou pedindo um beijo, com a moça claramente sem graça. Embaixo, outros brasileiros começaram a pedir “kiss! kiss! kiss!”. E ensaiaram até um coro pedindo sexo. Rapidamente desistiram, e a comitiva da babaquice adentrou o estádio, às gargalhadas.

O perfil é bem parecido com um tipo específico de turista brasileiro que se vê algumas vezes no exterior: o que acha que pode tudo na porque está pagando, o que critica a cultura alheia porque não é como a sua, o que não aprende palavras simples como “por favor” e “obrigado” na língua onde está. É aquele que faz piada com torcedor de seleção árabe relacionando ao terrorismo, de time africano com pobreza, que acha que todo francês fede, que todo colega latino é “paraguaio”. Do mesmo jeito que acha, no Brasil, que nordestino é “Paraíba”. Não há fuso horário que corrija a ignorância.




O ignorante torcedor brasileiro na Rússia (que destoa da maioria, mas se destaca) é aquele que, ao invés de aproveitar a troca de culturas e o bom clima de um Mundial, de conhecer um estrangeiro gente boa, diz que o “argentino tem que morrer” na primeira aparição de um hermano. Que acha que ser pentacampeão te dá algum direito de deboche ou superioridade. É a insegurança em pessoa, vestido de amarelo ou azul. É o cara que não percebe que, aos pouquinhos, vai deixando uma imagem do país espalhada por aí que não tem 7 a 1 que possa competir. E que não tem esquema tático que o salve da retranca mais difícil de passar: a da ignorância.

“A desculpa, como sempre, “é que é só brincadeira”. Machismo/assédio não é brincadeira”, publicou o perfil Quebrando o Tabu. “Cadê os amigos ‘mas eu não sou machista’ falando desses homenzinhos de merda sacaneando a mina russa? Que nojo. É contra esse tipo de coisa que a gente espera que vocês se coloquem, sabe? É o mínimo. Dar risadinha é compactuar”, postou a escritora Clara Averbuck.



Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Políticas de privacidade