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O primeiro Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) do Brasil completa 25 anos de atuação neste sábado, 14. Porto Alegre foi pioneira ao instituir o sistema de socorro, em 1995, baseado no modelo francês de assistência pré-hospitalar. O objetivo das equipes é chegar mais rápido ao local da ocorrência para socorrer a vítima de agravos urgentes à saúde, fazer o primeiro atendimento, estabilizar o paciente e transportá-lo ao lugar adequado.

Os chamados no telefone 192 não param nas 24 horas do dia, sete dias da semana. De janeiro a outubro deste ano, foram 31.616 atendimentos, sendo 17.216 clínicos (54,45%), 8.828 traumáticos (27,92%), 3.882 psiquiátricos (12,28%), 1.208 de transportes (3,82%) e 482 obstétricos (1,52%) – uma média mensal de 3.161 ocorrências.

Em comparação a 2019, houve redução de 682 atendimentos em 2020, diferença creditada à pandemia de Covid-19. Para dar conta do trabalho, o Samu opera com 252 pessoas, incluindo 61 médicos, 60 motoristas, 75 técnicos de enfermagem, 27 enfermeiros e 17 auxiliares de enfermagem. O grupo envolve ainda setor administrativo, operadores de rádio e outras funções, algumas terceirizadas.

Entre as conquistas mais recentes do serviço, está o aplicativo com cadastro de voluntários para atender parada cardiorrespiratória, criado para a montagem de uma rede de primeiros socorros antes da chegada da ambulância. Lançado há um ano, o projeto foi interrompido em função da pandemia, mas será retomado assim que possível.

Trajetória

O Samu começou com uma pequena central no Hospital de Pronto Socorro (HPS). A partir de 1997, foram criadas novas bases, distribuídas em regiões estratégicas. Hoje, são 16 equipes, das quais 13 de suporte básico, compostas por técnico ou auxiliar de enfermagem e motorista, e outras três equipes de suporte avançado em UTI móvel, com médico, enfermeiro e motorista.

A sede própria chegou no final de 2013, em um prédio na avenida Ipiranga, 3.501, onde funcionam a coordenação-geral e a moderna central que monitora os chamados, a operação das bases e o encaminhamento das vítimas à rede hospitalar. A sede também abriga uma base, alojamentos, salas para cursos de aperfeiçoamento profissional e outras atividades de qualificação das equipes. Em 2014, 2018 e 2019, a frota de ambulâncias foi renovada: as mais antigas foram retiradas e outras passaram a compor frota de reserva, para reposição imediata de ambulância em caso de pane mecânica ou acidente.

Tempo de resposta

Um dos desafios permanentes é melhorar o chamado tempo de resposta. A modernização da estrutura e a adoção de processos mais dinâmicos têm ajudado a diminuir o espaço entre o chamado e o atendimento. Dependendo da localização da vítima e da ambulância acionada, a equipe pode chegar em cinco minutos. Mas fatores como o trânsito e informações imprecisas de localização dadas por quem chama o serviço podem levar a uma demora maior. Outro fator que atrapalha são os trotes, geralmente aplicados por crianças.

Além do rádio e celular, as ambulâncias estão equipadas com GPS, o que ajuda no deslocamento e monitoramento da posição das unidades pela cidade, permitindo a escolha mais adequada de qual deve ser acionada.

Conscientização

Para enfrentar os trotes, que podem congestionar o serviço de telefonia e prejudicar a ação dos profissionais, foi criado o projeto Samuzinho: uma equipe de socorristas visita escolas e promove ações de conscientização e prevenção a acidentes. O Samu também coordena o projeto Coração no Ritmo Certo, com treinamentos de reanimação cardiorrespiratória para a população, e o Samu Cidadão, que propõe ações de conscientização para o uso adequado do serviço. Além disso, capacita a população leiga em primeiros socorros nas situações de urgência, com aulas expositivas e oficinas práticas. (PMPA)