Foto: UNE

Universidades lutam para revogar nomeações de reitores por Bolsonaro

Ato, em setembro, contra a nomeação de reitor indicado por Bolsonaro para a UFRGS.

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As universidades federais que tiveram reitores nomeados pelo presidente Jair Bolsonaro sem respeitar a lista tríplice, apresentada pela comunidade acadêmica, estão mobilizadas nesta semana para revogar as nomeações desses reitores. Hoje os representantes do movimento em defesa da autonomia universitária vão ao MEC para tentar uma audiência. “A perspectiva é que a gente possa revogar as intervenções”, diz Rivânia Moura, presidenta da Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior (Andes).

Por lei, é prerrogativa do Presidente da República nomear reitores para as universidades federais a partir de uma lista tríplice encaminhada pelas instituições universitárias, depois de processo eleitoral. Mas o presidente Jair Bolsonaro quebrou essa sequência desde o início do seu mandato.

Já são pelo menos 19 reitores ou diretores de instituições federais de ensino entre pessoas que não encabeçaram a lista tríplice. Desse total, sete nem chegaram a disputar a eleição em suas respectivas comunidades acadêmicas, pois não estavam nem sequer entre os indicados.

Indignados com a postura do ministério da Educação diante dessas nomeações de reitores, entidades que reúnem professores, estudantes e servidores convocaram uma agenda de lutas para esta semana em Brasília, como mostra reportagem de André Gianocari no Seu Jornal, na TVT, nesta terça-feira (8).

Jair Bolsonaro é acusado de usar o Ministério da Educação para interferir nas instituições federais de ensino superior. Por meio do MEC tem sido nomeados reitores não eleitos pela comunidade acadêmica. Diante dessa investida, defensores da educação alertam para o risco de controle político dentro das entidades de ensino.

“Entendemos que a intervenção, além de ser um profundo ataque à Constituição, por ser um ataque à autonomia, é um profundo ataque ao que significa de fato um processo de construção da Educação, de construção do diálogo, de construção do debate, da construção da crítica e da pluralidade”, afirma Rivânia.

Segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE), a medida do governo Bolsonaro é clara no sentido de conter o movimento estudantil. “Essa agenda de interferência tem como objetivo construir um processo de dominação política e ideológica nas Universidades”, afirma a vice-presidente da UNE, Élida Elena. Ela entende que a tentativa de Bolsonaro de obter um alinhamento ao seu governo dentro das universidades busca instaurar um processo de perseguição da resistência e organização dos estudantes da comunidade acadêmica nas universidades.

A agenda de luta contra a interferência de Bolsonaro no ensino superior prevê um ato nacional amanhã, quinta-feira (10), em Brasília. Ontem foi realizada uma plenária entre as entidades representantes de estudantes, servidores públicos e professores na Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (Adunb). A plenária contou com a participação de diversos sindicatos de trabalhadores e parlamentares, “todos dando voz à defesa da autonomia universitária e democracia”, afirma Rivânia.

O ato desta quinta-feira faz parte de uma agenda ampla de lutas, com a pauta contra a Reforma Administrativa e pela manutenção do auxílio emergencial de R$ 600. (RBA)