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Após determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado no âmbito da Operação Lava-Jato, teve acesso a novas mensagens obtidas na Operação Spoofing.

A ação foi deflagrada em julho de 2019 para investigar um grupo de hackers que invadiu celulares de autoridades, incluindo o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e procuradores.

A defesa de Lula pretende usar as mensagens para reforçar as acusações de que Moro teria agido com parcialidade e encarou o petista como “inimigo” ao condená-lo a nove anos e meio de prisão no caso do triplex em Guarujá (SP).

Em uma das conversas, em 16 de fevereiro de 2016, Moro pergunta se os procuradores têm uma “denúncia sólida o suficiente”. Em seguida, Deltan Dallagnol responde que acredita que o material está “suficientemente forte” e detalha a construção da peça de acusação.

“Na parte do crime antecedente, colocaremos que o esquema Petrobras era um esquema partidário de compra de apoio parlamentar, como no mensalão, mas mediante indicações políticas usadas para arrecadar propina para enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas”, escreveu Deltan.

Em outra mensagem, enviada em 6 setembro de 2016, Deltan pede que, ao tomar o depoimento do empreiteiro Léo Pinheiro, ex-executivo da OAS, Moro “impeça” relatos sobre fatos alheios ao objeto do processo em questão. Na época, a defesa do empresário, que chegou a ser preso preventivamente na Lava-Jato, pediu que ele fosse ouvido na ação envolvendo o ex-senador Gim Argello.

“Talvez seja o caso de impedir Leo Pinheiro de depor sobre fatos alheios ao seu caso, no interrogatório, orientando ele a procurar o MPF caso queira relatar fatos estranhos ao processo. Estamos suspeitando de que ele poderá querer forçar uma colaboração sem acordo, ainda que fajuta (que pode ser um tiro no pé até em relação a outros casos), e buscar diminuição da pena na cadeia recursal. Sugerimos a possibilidade que não considere relatos para fora dos autos”, escreveu Deltan. Moro respondeu: “Ah sim, só sobre o objeto da acusação”.

No mesmo mês de setembro de 2016, é Moro quem procura Deltan. Na mensagem, cobra do então coordenador da Lava-Jato em Curitiba manifestação em um processo. “Preciso manifestação do MP nº 504615954. Simples”, escreveu o ex-juiz. “Providenciaremos”, respondeu Deltan, que, minutos depois, informou: “Sendo protocolado”. O conteúdo das mensagens foi divulgado pela revista Veja. (O Sul)