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Marco Weissheimer | Sul21

No dia 17 de março, uma inusitada cena no Parcão (Parque Moinhos de Vento) indicava que 2020 modificaria radicalmente paisagens exteriores e interiores. No começo da chegada da pandemia do novo coronavírus a Porto Alegre, vendedores ambulantes saíram correndo para oferecer um dos produtos mais procurados então pela população: álcool gel. Em março, havia inclusive um temor de que poderia faltar álcool gel no mercado ou que o preço iria às alturas devido à alta demanda pelo produto, necessário para procedimentos básicos de proteção contra o contágio do coronavírus. O ambulante do Parcão relatou que foi a São Paulo para comprar algumas caixas de álcool gel e vender na capital gaúcha. Ele instalou um varal de embalagens na esquina da Goethe com a Mostardeiro. O preço era salgado, muito acima do valor de mercado: R$ 25,00 cada.

O Sul21 preparou uma retrospectiva sobre como a pandemia afetou Porto Alegre em 2020, estruturada a partir das imagens que nossa repórter fotográfica Luiza Castro captou neste período, a partir de março, quando começaram a ser tomadas as primeiras medidas de distanciamento social.

Nas primeiras semanas do regime de distanciamento social imposto por governos municipais e estaduais (não pelo governo federal que, desde o início, nas palavras do presidente Jair Bolsonaro, tratou a chegada da covid-19 como uma gripezinha e criticou as medidas de distanciamento social), o álcool gel foi um personagem central. A procura pelo produto gerou inclusive ocorrências policiais, como a que ocorreu, por exemplo, no dia 19 de março, em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde o Procon do município interditou uma farmácia que vendia uma embalagem com 5 litros de álcool gel 70% a R$ 300. Hoje, dezembro de 2020, ao olhar para março, alguém poderá dizer: saudade do tempo em que uma das nossas principais preocupações era o álcool gel.

Água sanitária foi outro produto que passou a ser muito disputado nos corredores de supermercados. O que, para muitos, poderia ser caracterizado como obsessão pela limpeza, virou uma regra do cotidiano. Lavar as mãos com cuidado a cada saída à rua, passar álcool gel, desinfetar calçados e roupas que fossem para a rua e tudo o que viesse da rua, como alimentos, material de trabalho, livros, aparelhos eletrônicos e tudo o mais.

Acesse a retrospectiva aqui.