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Fernanda Nascimento | Sul21

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Moacyr Scliar, localizada na zona norte de Porto Alegre, suspendeu o atendimento de novos pacientes. Com o sistema sobrecarregado há mais de uma semana, a unidade estava recebendo apenas casos considerados graves. O agravamento da pandemia no Rio Grande do Sul, com aumento de contágios e internações, fez com a que a unidade superassem os 300% de superlotação. “Extrapolamos toda a capacidade de acomodação e fornecimento adequado de atendimento aos pacientes”, afirma a gerente executiva da unidade, Jaqueline Cesar Rocha.

De acordo com o Grupo Hospitalar Conceição, responsável pela gestão da unidade, todos os equipamentos da UPA estão em utilização e há uma sobrecarga de trabalho da equipe de assistência. “Nós chegamos a uma situação em que estamos com muita dificuldade de atender. Há um esgotamento de materiais e equipamentos”, explica Jaqueline.

Nos últimos dias, várias mudanças foram feitas no local para ampliar e adaptar espaços e equipamentos, mas o volume de internações supera a capacidade de mobilização do local. No início da tarde, o local tinha 63 pacientes em atendimento, dos quais 52 estavam com covid-19. No total, a UPA possui 17 leitos – sendo oito o número ideal para o atendimento de coronavírus. “Já tivemos várias situações difíceis nos meses de pandemia, tivemos algumas superlotações e já tivemos que restringir o atendimento de casos leves e moderados. Mas nunca, em nenhum momento, tínhamos vivenciado uma lotação dessa dimensão”, relata Jaqueline. Ela afirma que a unidade possui quantidade suficiente de oxigênio para o atendimento de pacientes, mas devido à superlotação, todos os equipamentos necessários para a oxigenação já estão em uso.

A gravidade da situação é vivenciada com aflição por profissionais de saúde que atuam no local. Uma médica da unidade, que preferiu não ter o nome divulgado, relatou que o momento é crítico e preocupante. “Nos apavora que as autoridades estejam dizendo que não são necessárias outras medidas de restrição”.

A profissional atua desde o início da pandemia na linha de frente dos atendimentos e afirma que há uma mudança no perfil dos pacientes: quadros de evolução da doença mais acelerados e internações de pessoas que não pertencem a grupos considerados de risco. “É muito angustiante. Enquanto profissional, a gente é feito para melhorar a condição de vida dos pacientes e eventualmente perder uma batalha. E agora, a gente vê que está na iminência dos pacientes começarem a morrer por falta de atendimento”, relata.